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Negócios em yuan não decolam no Brasil

A China é o maior parceiro comercial do Brasil, mas é irrisório o número de empresas nacionais que realiza transações em yuans. Quase nenhuma se interessou até agora pelas contas em renminbis que o Banco do Brasil abriu em instituições chinesas no segundo semestre de 2011 para alimentar os eventuais operações em moeda local.

PEQUIM, O Estado de S.Paulo

30 de abril de 2012 | 03h05

Philippe Jaccard, do Citibank em Hong Kong, acredita que o pagamento em yuans pode facilitar os negócios e reduzir o preço dos produtos, na medida em que os exportadores chineses não terão de embutir nele o risco de variação cambial.

Mas a ministra conselheira da Embaixada do Brasil em Pequim, Tatiana Rosito, ressalta que a eliminação do custo de transação não basta para atrair os brasileiros. "Se não houver opções de investimento e segurança, isso não será suficiente."

A grande inovação nesse terreno veio no ano passado, quando o governo chinês permitiu que investimentos estrangeiros diretos no país sejam realizados em yuans. Só em 2011, as operações desse tipo alcançaram 90,72 bilhões de yuans (US$ 15,4 bilhões).

Com o desenvolvimento de Hong Kong em um mercado offshore, o governo chinês criou uma plataforma para a negociação da moeda e sua utilização para compra de bônus emitidos por empresas, mas sua projeção ainda é limitada.

Sem possibilidades de investimentos, os exportadores brasileiros que recebem em yuans só poderiam usar os recursos para pagar pela importação de produtos chineses.

Na avaliação de Jaccard, empresas brasileiras que tenham ambição de se expandir internacionalmente podem acumular yuans e usá-los no futuro para investimentos na China. "Ninguém sabe qual será a cotação do renminbi daqui a dois ou três anos. Se estiver alta, isso vai encarecer o custo de investimentos no país", ressaltou.

A realização do comércio em moeda local foi um dos itens da declaração que Brasil e China firmaram em 2009, durante visita do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Pequim.

Na cúpula dos Brics realizada em março, Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul decidiram criar mecanismos para concessão de crédito mútuo em suas próprias moedas, para reduzir a dependência do dólar.

Mas a ofensiva da China não se restringe aos Brics. Desde 2008, Pequim assinou acordos de troca de moedas (swap) com 17 países, no valor de 1,32 trilhão de yuans (US$ 209 bilhões). O mais recente deles, de US$ 31 bilhões, foi firmado no mês passado com a Austrália. / C.T.

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