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Negócios já pipocam às margens da Norte-Sul

Executivos e estrangeiros buscam oportunidades de investimento

Renée Pereira, O Estadao de S.Paulo

29 de setembro de 2007 | 00h00

A construção da Ferrovia Norte-Sul já começa dar cara nova para o cerrado brasileiro, considerado durante anos uma área perdida para a economia nacional. A paisagem, com vegetação rasteira e pequenas árvores com troncos retorcidos, agora está cortada pelos trilhos de aço e a região, antes esquecida, em ebulição. Os negócios estão pipocando por todos os cantos. Executivos e estrangeiros se misturam ao povo simples das pequenas cidades às margens da ferrovia em busca de oportunidades de investimentos.Eles estão sendo atraídos pelos benefícios logísticos da região. As vantagens estão nas opções de transportes do cerrado, que conta com hidrovia, rodovia e, agora, ferrovia. É a chamada multimodalidade, que reduz custos e dá mais competitividade ao produto, o diferencial no mundo globalizado.A reportagem do Estado percorreu um trecho da Norte-Sul, entre Imperatriz (MA) e Araguaína (TO).Já no primeiro dia, no Distrito Agroindustrial de Porto Franco (MA), encontrou uma comitiva da Parmalat em visita a uma empresa recém-inaugurada na cidade para avaliar futuros projetos.O Distrito Agroindustrial já conta com empresas como Cargill, Bunge, Multigrains e ABC, do grupo Algar. Além disso, há projetos para a construção de duas indústrias de álcool de produtores paulistas, diz o vice-prefeito do município, Aderson Marinho Filho. ''''Eles estão arrendando 3 mil hectares para a plantação da cana.''''Outro empreendimento que deve trazer empregos para a cidade é a Empresa de Bio-Orgânicos Maranhão, que já plantou 200 hectares de mamona. ''''A previsão é começar a produzir este ano'''', diz Marinho, revelando que toda semana chega uma empresa na cidade para sondar as alternativas de negócios.O morador João Neto já percebeu os efeitos das mudanças. Ele ajudou a construir a Norte-Sul até Porto Franco e hoje é um dos operadores da ferrovia, no transbordo da soja. Ele conta que vários amigos já conseguiram comprar casa própria, carros e motos. ''''A construção da ferrovia melhorou muito a vida das pessoas'''', afirma ele. Ao contrário do passado, não é mais preciso sair da cidade para fazer as compras do dia-a-dia. O comércio já oferece grande variedade de produtos. Mas o preço ainda é salgado. O litro do álcool, por exemplo, não sai por menos de R$ 1,70 e uma Coca-Cola pode chegar a R$ 2,00. Mas esse quadro deve mudar com a redução de custos de transportes, ligação com o Sul e Sudeste e novos investimentos.Isso significa mais emprego e melhora da renda da população. Em Araguaína, onde haverá mais um pátio de transbordo de carga, a expectativa pela chegada das novas companhias é grande. Cinco empresas tiveram permissão de uso no pátio da cidade. São elas a Voetur, Renova Energia, Cotril Agropecuária, Global Distribuidora de Combustíveis e Rodo Posto Eldorado, comenta o responsável pela área comercial da Norte-Sul, Matheus Maurício Ramos, que presta serviços para a estatal Valec. Segundo ele, a Renova Energia vai abrir uma fábrica na cidade para a produção de biodiesel e criar cerca de 600 empregos diretos.Outro projeto faz parte da parceria entre o grupo paranaense Cescage e uma empresa belga, cujo investimento soma R$ 30 milhões. Eles vão produzir álcool de batata-doce especialmente para a fabricação de perfumes. A expectativa é criar outros 200 empregos diretos. Ramos completa que a plantação será feita por agricultores assentados. ''''Eles vão receber as mudas, plantar e colher.'''' O resíduo da batata servirá de ração animal e incentivará a criação de caprinos, ovinos, suínos e bovinos.

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