Beto Barata/Estadão
Beto Barata/Estadão

Nelson Barbosa deixará o Ministério da Fazenda em junho

Ainda não há nome definido para o cargo de secretário-executivo

Adriana Fernandes, da Agência Estado,

13 de maio de 2013 | 17h03

BRASÍLIA - O Ministério da Fazenda confirmou que o secretário executivo da Pasta, Nelson Barbosa, deixará o cargo em junho. Segundo nota divulgada nesta segunda-feira, 13, pela internet, Barbosa pediu exoneração ao ministro Guido Mantega por razões pessoais. Segundo apurou o Estado, contudo, a insatisfação de Barbosa em permanecer como o número dois da Fazenda vinha crescendo desde o início do ano, principalmente depois que constatou que estava perdendo espaço para o secretário do Tesouro, Arno Augustin - um dos nomes apontados para sucedê-lo.

Nelson Barbosa está no governo desde 2003 e fez parte das equipes do ministro Guido Mantega desde sua gestão no Ministério do Planejamento. Na Fazenda, ocupou as secretarias de Acompanhamento Econômico (2007/2008) e de Política Econômica (2008/2010), antes de ser levado por Mantega ao posto de secretário-executivo, sucedendo Nelson Machado, em 2011.

Segundo a nota, "oportunamente o ministro Mantega definirá o nome do novo secretário-executivo". O atual secretário-executivo-adjunto, Dyogo Oliveira, deverá assumir o cargo interinamente no lugar de Barbosa.

Barbosa ficou isolado. No início do governo, Guido Mantega se sentia incomodado exatamente por causa do grande trânsito que Nelson Barbosa tinha junto à presidente, com quem despachava diretamente. Barbosa, um dos principais formuladores da política econômica de Dilma, chegou a acompanhar a presidente em viagens ao exterior. Ele era o candidato natural ao cargo de Mantega, que em alguns momentos, também teria sinalizado sua disposição de deixar o governo alegando, até, problemas familiares.

Mas a presidente Dilma e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no entanto, demoveram Mantega da ideia. Hoje, Barbosa ainda continua indo ao gabinete presidencial, mas a frequência foi bastante reduzida e ele e Mantega convivem mais pacificamente. Ele também não está mais presente às viagens ao exterior.

Por conta desta aproximação com a presidente Dilma, o próprio Guido Mantega também passou a trabalhar mais em parceria com Arno Augustin, ouvindo-o com mais frequência, a fim de não estabelecer uma nova área de disputa por espaço. Esse movimento acabou isolando um pouco Barbosa. Como a presidente Dilma é a verdadeira formuladora da política econômica, ela faz questão de discutir detalhes com diversos interlocutores, responsáveis por segmentos distintos da economia.

ICMS. "Dois corpos não ocupam o mesmo lugar no espaço", comentou uma fonte palaciana, ao justificar a descida de Nelson Barbosa, após a subida da cotação do secretário do Tesouro. Contribuiu para a perda de espaço de Barbosa o fato de ele ter sido destacado para tocar assuntos que acabaram enfrentando graves problemas no Congresso, como a tentativa de unificação da alíquota interestadual do ICMS.

As negociações não tiveram sucesso e o texto apoiado pelo governo acabou sendo desfigurado. Com isso, a tentativa de acabar com a guerra fiscal não foi bem-sucedida e o relatório que acabou produzido no Congresso sobre o tema estava sendo considerado muito ruim, a ponto de Mantega, ter afirmado no Congresso, na ultima quinta-feira que não aprova o projeto do ICMS na forma como passou no Senado. Nelson Barbosa, que tinha ido muito bem, no início do governo e que chegou a comemorar o sucesso na política de mudança nas regras da poupança, agora, estava se sentindo escanteado.

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