DIDA SAMPAIO/ESTADÃO
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Nelson Barbosa vai substituir Joaquim Levy no Ministério da Fazenda

Troca de comando representa uma nova linha na política econômica, que deve ter um tom mais desenvolvimentista; Valdir Simão, da CGU, será transferido para o Planejamento

Vera Rosa, Carla Araújo e Murilo Rodrigues Alves, O Estado de S.Paulo

18 Dezembro 2015 | 17h10

Texto atualizado às 18h45

O economista Nelson Barbosa é o novo ministro da Fazenda. Barbosa era titular do Planejamento e assumirá o cargo no lugar de Joaquim Levy, que estava muito desgastado no governo. A troca de comando na Fazenda também representa uma nova linha na política econômica, que deve ter um tom mais desenvolvimentista. O atual ministro da Controladoria Geral da União (CGU), Valdir Simão, será transferido para o Planejamento. No lugar de Simão, assume interinamente Carlos Higino Ribeiro de Alencar.

A presidente Dilma Rousseff agradeceu, em nota, "a dedicação" de Levy e disse que ele "teve papel fundamental no enfrentamento da crise econômica". Dilma desejou "muito sucesso nos seus desafios futuros."

A saída de Levy já estava sendo cogitada há tempos, mas foi antecipada após declarações do ministro com críticas ao governo e que reforçavam sua vontade de deixar o cargo. "O ministro Levy já até se despediu no Conselho, ele que está antecipando essa substituição", afirmou uma fonte ligada a presidente hoje pela manhã. 

Em entrevista ao Broadcast, por diversas vezes Levy referiu-se ao "final do ano legislativo", como se isso marcasse o fim de sua missão no governo. E sobre a dificuldade de Dilma encontrar um nome para substituí-lo, foi sucinto. "Sempre se encontra um sucessor", disse. "Meu caminho é de paz interior. Estou tranquilo".

Solução caseira. Segundo interlocutores, Dilma procurou uma "solução caseira" e Barbosa foi escolhido pela proximidade com a presidente e pelo fato de que "ele já tem os números na cabeça" e conhece a situação atual. 

 

A decisão da presidente Dilma de dar o aval para que a meta fiscal de 2016 seja, na prática, zero significou uma derrota para Levy, que defendia a todo custo a manutenção da meta em 0,7% do PIB (R$ 43,8 bilhões). Prevaleceu justamente a posição de Barbosa, e da ala política do governo, que defendiam maior flexibilidade para administrar choques e preservar as obras prioritárias.

Levy e Barbosa tiveram vários embates no governo sobre tamanho da meta fiscal e déficit primário no Orçamento. O ministro da Fazenda chegou a reclamar com Dilma de que estava isolado no governo e por isso tinha dificuldades para aprovar as medidas do ajuste fiscal.   

 

Também haviam sido cotados os ministros Armando Monteiro (Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior), que seria "ponte necessária" com o empresariado. E Jaques Wagner (Casa Civil), que teria um perfil político com interlocução no Congresso.

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