Nelson Barbosa se prepara para deixar a Fazenda

Secretário executivo do ministério perdeu espaço para Arno Augustin, e já teria anunciado sua decisão de deixar o cargo

BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

12 de maio de 2013 | 02h06

O secretário executivo do Ministério da Fazenda, Nelson Barbosa, está preparando a sua saída do cargo. Barbosa já tinha feito chegar ao Palácio do Planalto o desejo de deixar o governo. A sua insatisfação em permanecer como o número dois da Fazenda vinha crescendo desde o início do ano, principalmente depois que constatou que estava perdendo espaço para o secretário do Tesouro, Arno Augustin.

Ontem, o jornal Folha de S. Paulo publicou que Nelson Barbosa já teria comunicado ao titular da pasta, Guido Mantega, a sua decisão de deixar o cargo e que a presidente Dilma Rousseff também teria sido informada da sua intenção.

Petistas consultados pelo Estado acreditam que, caso se concretize a saída de Nelson Barbosa, o candidato natural ao posto, no momento, seria o próprio Arno Augustin. Ele já é apontado como um dos importantes interlocutores de Dilma, dado como figura certa no núcleo da campanha à reeleição.

No início do governo, Guido Mantega se sentia incomodado exatamente por causa do grande trânsito que Nelson Barbosa tinha junto à presidente, com quem despachava diretamente. Barbosa, um dos principais formuladores da política econômica de Dilma, chegou a acompanhar a presidente em viagens ao exterior. Ele era o candidato natural ao cargo de Mantega, que em alguns momentos, também teria sinalizado sua disposição de deixar o governo alegando, até, problemas familiares.

Mas a presidente Dilma e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no entanto, demoveram Mantega da ideia. Hoje, Barbosa ainda continua indo ao gabinete presidencial, mas a frequência foi bastante reduzida e ele e Mantega convivem mais pacificamente. Ele também não está mais presente às viagens ao exterior.

Desde o final do ano passado, quando a presidente Dilma resolveu deslanchar os pacotes de concessões, Arno Augustin, um dos responsáveis pela preparação das medidas, acabou se tornando uma peça importante e ganhando espaço no Planalto. Arno também estaria se saindo muito bem no papel de interlocutor entre o governo e a iniciativa privada.

Por conta desta aproximação com a presidente Dilma, o próprio Guido Mantega também passou a trabalhar mais em parceria com Arno Augustin, ouvindo-o com mais frequência, a fim de não estabelecer uma nova área de disputa por espaço. Esse movimento acabou isolando um pouco Barbosa. Como a presidente Dilma é a verdadeira formuladora da política econômica, ela faz questão de discutir detalhes com diversos interlocutores, responsáveis por segmentos distintos da economia.

ICMS. "Dois corpos não ocupam o mesmo lugar no espaço", comentou uma fonte palaciana, ao justificar a descida de Nelson Barbosa, após a subida da cotação do secretário do Tesouro. Contribuiu para a perda de espaço de Barbosa o fato de ele ter sido destacado para tocar assuntos que acabaram enfrentando graves problemas no Congresso, como a tentativa de unificação da alíquota interestadual do ICMS.

As negociações não tiveram sucesso e o texto apoiado pelo governo acabou sendo desfigurado. Com isso, a tentativa de acabar com a guerra fiscal não foi bem-sucedida e o relatório que acabou produzido no Congresso sobre o tema estava sendo considerado muito ruim, a ponto de Mantega, ter afirmado no Congresso, na ultima quinta-feira que não aprova o projeto do ICMS na forma como passou no Senado. Nelson Barbosa, que tinha ido muito bem, no início do governo e que chegou a comemorar o sucesso na política de mudança nas regras da poupança, agora, estava se sentindo escanteado.

O Ministério da Fazenda e o Palácio do Planalto não quiseram comentar a possibilidade de saída de Barbosa do governo.

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