Nem 13º salário faz consumidor aumentar gastos

Lojistas dizem que há muita gente circulando nos shoppings, mas o desembolso é menor

Márcia De Chiara, O Estado de S.Paulo

22 de dezembro de 2015 | 05h38

Muita gente circulando e poucos comprando. E, quando compram, gastam menos do que no ano passado. Essa foi a percepção dos lojistas de shoppings e da região da Rua 25 de Março, o maior polo de comércio popular do País, em relação ao desempenho do varejo último fim de semana antes do Natal.

Segundo o diretor de relações institucionais da Associação de Lojistas de Shopping (Alshop), Luís Augusto Ildefonso da Silva, o fluxo de pessoas nos shoppings no sábado e no domingo foi muito bom. “Mas não foi um fim de semana no qual as pessoas entraram e saíram com presente. Tem muita gente pesquisando preço.”

Na região da Rua 25 de Março, o fluxo de pessoas decepcionou. “No sábado, o movimento ficou abaixo da expectativa. Não chegamos a um milhão de pessoas”, diz Marcelo Mouawad, diretor da União dos Lojistas da 25 de Março e Região (Univinco) e diretor de marketing da loja de brinquedos Semaan. Normalmente, essa marca é atingida nos sábados que antecedem as principais datas comemorativas do comércio, mas neste ano a regra não valeu.

Segundo o lojista, cerca 800 mil pessoas circularam pela região no sábado e gastaram menos do que em anos anteriores. Na sua loja que vende brinquedos, um item quase que obrigatório nas compras de Natal, o valor médio das vendas está 20% abaixo do de 2014.

A Boa Vista SCPC, que administra as consultas para venda à vista e a prazo na cidade de São Paulo da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), que é um importante termômetro do varejo pela agilidade com que os dados são compilados, não divulgou os números do fim de semana. Mas até o dia 15 deste mês, a queda beirava 8% em relação ao mesmos dias de 2014.

Emílio Alfieri, economista da ACSP, acredita que na segunda quinzena deve ter ocorrido alguma reação por causa do recebimento da segunda parcela do 13º salário. Mas ele pondera que, como o desemprego está em alta e há menos pessoas recebendo esse benefício, quando se compara as vendas da 2ª quinzena deste ano com as de 2014, o saldo deve ser negativo.

Um sintoma do aperto aparece na escolha do presente. Moda, acessórios e produtos de beleza são os principais presentes no Natal deste ano, aponta pesquisa online do feita pelo site Mercado Livre. Em anos anteriores, o smartphone aparecia como o principal presente.

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