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Nem a alta do dólar estimula a indústria

A expectativa de alguns analistas de que a indústria nacional poderia reagir por meio de um novo processo de substituição de importações e de aumento das exportações, favorecido pela alta do câmbio, não tem sido confirmada pelos fatos. Bem ao contrário. Os últimos dados do IBGE mostram que a produção industrial continua em queda livre. Em setembro, recuou pelo 19.º mês consecutivo, agora com queda de 1,3% em comparação com agosto. No confronto com o mesmo mês de 2014, a queda foi de 10,9%, com resultados negativos em 12 dos 15 Estados pesquisados.

O Estado de S.Paulo

13 de novembro de 2015 | 02h57

Um bom exemplo do que está ocorrendo é a redução da produção de bens intermediários (insumos industriais), que vinham sendo importados em grande escala. Em tese, indústrias locais poderiam aproveitar a oportunidade, em vista do aumento de preço dos similares importados, e substituí-los de modo a suprir a demanda. Mas isso só poderia ocorrer se a economia estivesse em crescimento, atraindo investimentos de que toda a indústria carece, o que não está acontecendo nem há sinais de que possa acontecer no curto prazo. Note-se, ainda, que o câmbio não tem beneficiado a exportação de manufaturados.

Em São Paulo, o maior polo industrial do País, a produção caiu 1,2% em relação a agosto e 12,8% em comparação com idêntico mês do ano anterior, uma taxa acima da média nacional. Isso se deve, em grande parte, à fraca demanda de máquinas e equipamentos, além de bens duráveis de consumo, desde automóveis a eletrodomésticos. E não se espera que a situação mude com a aproximação das festas de fim de ano, por causa do baixo nível de encomendas do comércio.

Entre os Estados mais industrializados destaca-se o Rio Grande do Sul, onde a produção teve recuo de 19,7% em relação a setembro de 2014, pressionada pela redução na produção de veículos, reboques, carrocerias, metalurgia e produtos de fumo.

Também no Rio de Janeiro (-11,2%) e em Minas Gerais (-11,1%) a taxa de retração ficou acima da média nacional, principalmente por causa da crise da indústria automotiva e da metalurgia.

Escaparam da debacle em setembro Mato Grosso, com um crescimento industrial de 18,3%; e Pará (12,3%). No Espírito Santo, houve leve avanço de 0,1%. Esses Estados, porém, têm peso relativamente baixo no cômputo geral. Em essência, o que se constata é que a desindustrialização do País avança em marcha batida.

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