Tiago Queiroz/Estadão - 3/32020
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Nem Dia das Mães salva o varejo dos efeitos da covid-19 e previsão é de queda de 22% em maio

Pesquisa do Instituto Brasileiro de Executivos do Varejo aponta que esforços para estimular o comércio online não foram suficientes para evitar prejuízos no mês, que é considerado o segundo mais importante do comércio durante o ano

Talita Nascimento, O Estado de S.Paulo

20 de maio de 2020 | 13h41

Maio é considerado o segundo mês mais importante do comércio durante o ano, em razão do Dia das Mães. Segundo especialistas, as vendas do mês são até 40% maiores do que a média do ano. Em 2020, porém, nem a data deve salvar o resultado de maio. Pesquisa do Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo (Ibevar), obtida pelo Estadão/Broadcast, estima que o varejo ampliado (incluindo material de construção e automóveis) terá queda de 22,11% na comparação com o mesmo período de 2019.

Mesmo com todo o esforço das varejistas para investir nas plataformas de e-commerce e em ampliar os chamados marketplaces - que possibilitam a comerciantes menores a venda de seus produtos pelas plataformas de terceiros - os efeitos da pandemia de covid-19 continuam atingindo em cheio o setor. “Uma queda dessas em maio prenuncia um período de 12 meses muito ruim. Antes de sermos solapados pela pandemia, nossa perspectiva de crescimento para o ano estava em 3% ou 3,5%. Agora, prevemos queda de 10% para os próximos 12 meses”, diz o presidente do Ibevar, Claudio Felisoni de Angelo.

Ele explica que a perda de desempenho em uma data tão importante no planejamento dos comerciantes tem um efeito que não deve ser reparado quando a economia for reaberta. “O que não foi vendido, não será vendido depois, pois temos cerca de 13 milhões de desempregados e as estimativas indicam que podemos chegar a 17 milhões.” Para junho, a projeção do Ibevar é de queda de 20,94% em comparação com o mesmo período de 2019.

Segundo dados divulgados pela Associação Comercial de São Paulo (ACSP), a primeira quinzena de maio registrou queda de vendas de 65,5% na comparação anual. “O Dia das Mães não salvou o mês. A primeira quinzena foi um pouquinho melhor que os primeiros 15 dias de abril, mas, na comparação com maio de outros anos, foi muito inferior. E a segunda quinzena deve ter desempenho ainda pior”, disse o economista da ACSP, Marcel Solimeo.

Resiliência

Na contra-mão do setor, estão as redes de supermercados e de farmácias. As primeiras têm alta estimada para o mês de 22,93% nas vendas. Para as farmacêuticas, a projeção é de aumento de 9,59%, segundo a pesquisa do Ibevar. 

Nas estimativas do instituto especificamente para o Dia das Mães, os únicos bens duráveis com expectativa de alta nas vendas eram refrigeradores (13,8%) e smartphones (48,7%). “Aqui já aparecem duas tendências da pandemia também. O investimento em comunicação e a possibilidade de estocagem de alimentos”, comenta Felisoni.

Durante a divulgação de resultados do primeiro trimestre, grandes varejistas deram prévias de dados relativos a maio. E os números parecem conversar com as previsões do Ibevar. O GPA adiantou que o crescimento do e-commerce em abril e maio tem sido superior ao do primeiro trimestre, que registrou alta de 82%. O Carrefour, por sua vez, disse que o momento de vendas é de crescimento, mesmo após o pico registrado na segunda quinzena de março. “Dia das mães foi bom, não excepcional, mas mantivemos um bom nível”, afirmou o presidente do grupo, Noël Prioux.

A Via Varejo anunciou que teve crescimento no valor das vendas de Dia das Mães, em comparação com a mesma data em 2019, mesmo com 80% das lojas fechadas. Disse ainda que até a data  o mês de maio apresentou aumento de 10% nas vendas.

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