HÉLVIO ROMERO/ESTADÃO
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Nem liquidação salva venda de janeiro

Comércio varejista de São Paulo tem queda de 3,9% nas consultas para venda a prazo e recuo de 3,2% para negócios à vista, diz ACSP

Márcia De Chiara, O Estado de S. Paulo

02 Fevereiro 2015 | 22h21

O ano não começou bem para o comércio da cidade de São Paulo, apesar das liquidações de janeiro para desovar os estoques. As vendas a prazo e à vista e a intenção de consumo caíram no mês passado em relação ao início de 2014, afetadas pelas medidas de ajuste econômico anunciadas pelo governo. Também o cenário foi agravado pelo risco de um racionamento de água e de energia elétrica.

No mês passado, o número de consultas para vendas a prazo recuou 3,9% em comparação com o mesmo mês de 2014, segundo pesquisa da Associação Comercial de São Paulo (ACSP). O resultado leva em conta o mesmo número de dias úteis em janeiro de 2014 e deste ano. No caso das vendas à vista, a retração foi de 3,2% nas consultas de janeiro em relação a igual período do ano passado. Apesar de ser um dado só da cidade de São Paulo, ele é importante pela rapidez com que é conhecido - quase imediatamente - e pelo fato de dar um boa indicação do ritmo de vendas do comércio.

Outra pesquisa da Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomércio-SP)confirma a fraqueza do varejo paulistano. Em janeiro, a intenção de compras do consumidor caiu 12,9% em comparação com o mesmo mês de 2014. Todos os itens que compõem a enquete tiveram os resultados mais baixos para um mês de janeiro desde 2010, quando o indicador começou a ser apurado pela Fecomércio-SP.

“O consumidor está com um pé atrás”, afirma o economista da ACSP, Emílio Alfieri. Na sua avaliação, um conjunto de fatores levou ao fraco desempenho do comércio: alta dos juros, do imposto sobre o crédito (IOF), o tarifaço, além da crise hídrica, que pode levar a um racionamento de energia e de água.

Essa combinação negativa inverteu o cenário das vendas à vista, que tinham crescido 3,4% na primeira quinzena do mês na comparação anual por causa das liquidações, mas encerraram janeiro no vermelho. Quanto às vendas a prazo, elas já tinham recuado na primeira quinzena (-3,3%) e fecharam o mês com uma retração maior.

Para o economista da ACSP, “a venda a prazo neste ano não se salva de jeito nenhum”. Essa previsão ganha relevância nos resultados da pesquisa da Fecomércio-SP. No mês passado, dois itens que compõem o índice de intenção de consumo se destacam com a pior pontuação da série histórica: o emprego atual, que caiu 6,8% em comparação com janeiro de 2014, e a perspectiva de consumo, com retração de 25,3% no mesmo período. De acordo com a equipe econômica da Fecomércio-SP, a insegurança profissional indica um menor consumo das famílias nos próximos meses.

Apesar dos resultados fracos, Alfieri diz que não é possível fazer previsões de vendas para o ano, diante de tantas incertezas. Além disso, ele pondera que há fatores que jogam contra o desempenho de vendas da capital paulista, como migração de empresas e de consumidores para outras regiões do País e a falta do dinamismo do agronegócio, que impulsiona o varejo do Centro-Oeste, por exemplo.

Boa notícia. Apesar dos números negativos de vendas atuais e futuras, o dado favorável é a queda da inadimplência do consumidor, que fechou janeiro com recuo de 5,2% na comparação anual. O número de financiamentos em atraso renegociados também diminuiu 5% em janeiro, segundo a ACSP.

A explicação para a queda do calote é a menor procura do paulistano por crédito, uma vez que ele está inseguro com o seu emprego. 

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