Nem oposição acredita que haverá recessão, diz Dilma

Para a ministra da Casa Civil, quem olhar crise financeira com preocupação eleitoral 'vai se dar mal'

LEONENCIO NOSSA, Agencia Estado

31 Outubro 2008 | 11h27

A ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, afirmou nesta sexta-feira, 31, que nem a oposição nem o governo acreditam que vá haver uma recessão na economia brasileira em decorrência da crise financeira internacional. "Nós estamos nos esforçando para que o prejuízo com uma desaceleração seja o menor possível, a não ser que me expliquem tecnicamente que haverá uma recessão no Brasil. Nem a oposição acredita nisso", declarou Dilma a jornalistas, ao sair da sede da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), onde havia gravado entrevista para emissoras de rádio e televisão da rede pública oficial.      A uma pergunta sobre eventual preocupação do governo com as próximas eleições por causa da crise, Dilma respondeu: "Eu acho que ninguém pode olhar este momento com preocupação eleitoral. Quem olhar este momento com preocupação eleitoral vai se dar mal. O governo não faz isso, o governo tem responsabilidade. E, se a oposição fizer isso, ela vai pagar o ônus."   Veja também De olho nos sintomas da crise econômica  Veja os reflexos da crise financeira em todo o mundo Veja os primeiros indicadores da crise financeira no Brasil Lições de 29 Como o mundo reage à crise  Entenda a disparada do dólar e seus efeitos Especialistas dão dicas de como agir no meio da crise Dicionário da crise  Sobre possível risco de um futuro candidato presidencial apoiado pelo governo vir a ser prejudicado pela crise, Dilma disse que ainda não é possível fazer associações entre as eleições e o atual momento da economia. "Aqui, nós não quebramos. Pela primeira vez na história das crises financeiras internacionais, o Brasil não quebrou, as empresas e os bancos não quebraram, mas, sobretudo, diferentemente de outros períodos, a dívida privada interna e, principalmente, a pública, não estão indexadas ao câmbio." A ministra lembrou que o País tem reservas e afirmou que o governo "não precisa aceitar receituários recessivos do FMI" para enfrentar a crise. "Não estamos vivendo uma situação limite. Isso não é motivo para a gente cantar em verso e prosa, mas é motivo para reconhecer que há uma situação favorável para o Brasil, e o governo tomou todas as iniciativas para enfrentar a questão da restrição de crédito internacional, o que é real. O crédito internacional secou. E outro problema que está sendo enfrentado é o da volatilidade cambial." Na entrevista, Dilma Rousseff elogiou o ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmando que ele tem conduzido uma política "correta" contra a crise. Ela disse que o governo "não vai sair cortando todos os investimentos em infra-estrutura" depois de os ter retomado. "O Brasil passa por um momento difícil, de forma robusta e favorável." Ao comentar a previsão do ministro do Planejamento, Orçamento e Gestão, Paulo Bernardo, de que o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2009 deverá ficar em 4%, Dilma disse que essa estimativa é de toda a equipe do governo, que já avaliava, desde o ano passado, que o crescimento em 2009 seria de 4,5%. "Isso já estava previsto, porque já tínhamos uma avaliação da crise financeira, que não aconteceu ontem. A crise é do ano passado, quando, em junho, começou a queda da bolsa (por causa) do subprime, e, na seqüência, ficou mais pesada com a quebra do (banco) Lehman Brothers", afirmou.

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