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E-Investidor: Itaúsa, Petrobras e Via Varejo são as ações queridinhas do brasileiro

Nem todo mundo está afundando

Todos os dados econômicos relativos a dezembro do ano passado e a janeiro deste ano indicam que a crise internacional atingiu de forma mais dura, até agora, o setor industrial brasileiro. É importante observar que alguns ramos de atividade foram menos atingidos e outros até mesmo estão crescendo de forma expressiva, como é o caso do turismo interno, que avançou 20% de outubro de 2008 a janeiro. A indústria da construção civil e o setor de serviços também estão em expansão, embora em ritmo mais lento.A massa salarial e a renda dos trabalhadores ainda estavam em crescimento até o mês passado, o que aparentemente explica os impactos diferenciados da crise na economia brasileira. O aumento da massa salarial e do rendimento não apenas sustentou a atividade de alguns setores, mas impediu uma queda mais expressiva da arrecadação tributária federal.Para se ter uma ideia, a receita do Imposto de Renda sobre rendimentos do trabalho subiu 23% em janeiro, em termos reais (descontada a inflação), em comparação com o mesmo mês de 2008. A arrecadação do Imposto de Renda das pessoas jurídicas que declaram pelo lucro presumido cresceu 6,64% em janeiro, em termos reais, em comparação com igual mês do ano passado.O coordenador geral de Estudo, Previsão e Análise da Receita Federal, Marcelo Lettieri, disse que o crescimento da arrecadação com base no lucro presumido é a melhor indicação de que a rentabilidade das empresas brasileiras ainda não foi afetada pela crise. Mas a arrecadação de janeiro refletiu a situação econômica de dezembro de 2008, ou seja, a receita do mês passado é relativa aos fatos geradores de dezembro passado. É provável que a rentabilidade das empresas piore com o desdobramento da crise, com reflexos negativos sobre a arrecadação.Em dezembro, enquanto os setores de metalurgia, de eletricidade, de extração mineral, de fabricação de veículos automotores e de transporte terrestre apresentaram queda expressiva de arrecadação (em um deles, chegou a cair 55,4%), em outros ramos de atividade a receita tributária aumentou.No setor de captação, tratamento e distribuição de água, por exemplo, a receita tributária cresceu 70,1% em janeiro em comparação com o mesmo mês do ano passado. Houve expansão também na construção de edifícios, no comércio atacadista (exceto automóveis) e nas áreas de seguro, resseguro, previdência complementar e plano de saúde. A Secretaria da Receita Federal do Brasil (SRFB) identificou um aumento de 60,6% na arrecadação do setor de obras de infraestrutura, o que, em parte, resultaria do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).Em janeiro deste ano, o nível de emprego formal (com carteira assinada) apresentou uma queda de 0,32% em relação ao estoque do mês anterior, significando uma perda de 101.748 vagas, segundo os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). O IBGE apontou que o contingente de desempregados cresceu 20,6% em janeiro em relação a dezembro de 2008. No mês passado, o número total de desempregados subiu 323 mil nas seis principais regiões metropolitanas do País, segundo o IBGE.Os dados do Caged mostram, no entanto, que alguns setores apresentaram resultados favoráveis no mês de janeiro. No ramo da construção civil, por exemplo, 11.324 postos de trabalho foram criados, quase a mesma quantidade de postos criados em janeiro do ano passado (11.708). O setor de serviços criou 2.452 novas vagas, enquanto na administração pública houve expansão de 2.234 postos.No setor industrial ocorreu uma verdadeira tragédia. A indústria de transformação fechou 55.130 postos de trabalho em janeiro, segundo o Caged. O comércio fechou 50.781 vagas, mas, neste caso, as demissões se concentraram mais nos chamados trabalhadores temporários - aqueles contratados em decorrência das festas de fim de ano. De qualquer forma, a demissão deles resultou da desaceleração econômica, pois se a atividade estivesse em expansão os temporários poderiam ser efetivados.É difícil fazer um prognóstico para os próximos meses, mas parece inevitável que o aumento do desemprego termine afetando a expansão da massa salarial e o rendimento do trabalhador. O significativo aumento do salário mínimo este ano e uma política fiscal expansionista do governo federal poderão amenizar esse efeito e reduzir o impacto da crise sobre a atividade econômica, principalmente sobre os setores que ainda mostram certo dinamismo.BC vai mudar a previsão de crescimentoMesmo que a meta de crescimento econômico este ano para o Palácio do Planalto seja de 4%, é muito provável que o Banco Central (BC), em seu primeiro relatório de inflação de 2009, que será divulgado em março, reduza sua previsão para a expansão da atividade econômica. No seu relatório de dezembro do ano passado, o BC projetou um crescimento de 3,2% para este ano. Nos bastidores, os técnicos já trabalham com 1,5% de expansão. É provável que este seja o número a ser colocado no relatório de inflação de março. Ainda vai ser um bom crescimento, quando se considera que o mundo não crescerá nada.

Ribamar Oliveira, O Estadao de S.Paulo

23 de fevereiro de 2009 | 00h00

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