Nenhuma perspectiva de melhora do emprego

O País chega ao quarto trimestre de 2015 com dados muito ruins sobre o mercado de trabalho, o que amplia o pessimismo com relação ao desempenho da economia e vai deixando claro que a recuperação está distante. Como mostrou a Pesquisa Nacional por Amostragem de Domicílio (Pnad) Contínua, relativa ao trimestre terminado em julho, a taxa de desemprego saltou para 8,6% no período, a maior da série iniciada em 2012 pelo IBGE. Em apenas 12 meses, 1,8 milhão de pessoas, das quais 927 mil com carteira assinada, perderam o emprego nos últimos 12 meses, elevando o total de desempregados no País para 8,6 milhões.

O Estado de S.Paulo

02 Outubro 2015 | 02h56

Em condições normais, o desemprego se reduziria de setembro até dezembro, com a aproximação das festas de fim de ano, mas hoje isso parece uma visão muito otimista. Como afirmou o coordenador de Trabalho e Rendimento do IBGE, Cimar Azeredo, a taxa de desocupação está fugindo da tendência de subir até dezembro, quando as vendas melhoram em razão das festas de fim de ano, resultando em contratações, ainda que muitas sejam temporárias. “É esperado que, em dezembro, a taxa de desemprego caia”, disse ele, para em seguida fazer a ressalva: “Se isso vai acontecer ou não, não sei”.

O desemprego apresenta outro aspecto atípico este ano. Além do elevado número de trabalhadores que foram demitidos, houve um aumento excepcional no número de pessoas em busca de colocação no mercado de trabalho, contrariando a tendência dos últimos anos, que era de aumento de inativos. Isso se explica pelo fato de que, com o aumento das demissões e a consequente queda da renda das famílias, mais pessoas, jovens ou não, são levadas a procurar vagas no mercado, aumentando o contingente da População Economicamente Ativa (PEA), sem contrapartida no total da população ocupada.

O clima de instabilidade econômica tem levado muitos a procurar trabalhar por conta própria. Há casos de empreendedorismo com sucesso em diversos setores, mas o que se observa é um grau de informalidade muito elevado entre os desempregados que exercem algum tipo de atividade.

Fato inegável é que a fragilidade atual do emprego está diretamente ligada ao aumento da inadimplência, que, segundo a Serasa Experian, cresceu 16,9% no acumulado de janeiro a agosto deste ano, em comparação com o mesmo período do ano passado.

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