Nervosismo com balanços e testes de estresse pesa no exterior

A série de resultados corporativos previstos para hoje deixa os investidores apreensivos, especialmente depois dos dados decepcionantes da IBM e da Texas Instruments

20 de julho de 2010 | 09h08

A série de balanços previstos para esta terça-feira deixa os investidores apreensivos, provocando quedas das bolsas e das moedas de maior risco, especialmente depois dos resultados decepcionantes divulgados pela IBM e pela Texas Instruments após o fechamento da sessão de Nova York ontem. Um fraco leilão de títulos na Hungria e a expectativa com os resultados dos testes de estresse dos bancos europeus também pesam sobre os mercados.

Enquanto aguardam o balanço trimestral do Goldman Sachs, entre outros, os investidores digerem o aumento menor do que o esperado na receita da IBM no segundo trimestre deste ano, para US$ 23,72 bilhões, quando a previsão apontava US$ 24,17 bilhões. Além disso, Texas Instruments anunciou números que ficaram abaixo das estimativas da própria empresa - lucro de US$ 0,62 por ação e receita de US$ 3,5 bilhões, ante projeções de lucro entre US$ 0,60 e US$ 0,64 e receita entre US$ 3,45 bilhões e US$ 3,59 bilhões.

"Nós tivemos um bom início da temporada de balanços há algumas semanas, mas parte daquele entusiasmo foi embora e agora o risco é de que, se eles não atenderem às expectativas, nós possamos ver talvez uma liquidação exagerada", comentou David Jones, estrategista-chefe do IG Index.

Um operador afirmou que o leilão realizado pela Hungria hoje fracassou, já que a oferta de títulos do Tesouro de 3 anos foi reduzida em 10 bilhões de florins. O governo húngaro vendeu 35 bilhões de florins (US$ 156,3 milhões), menos do que os 45 bilhões de florins planejados. Outro operador observou que o volume de negociação na sessão de hoje está baixo, portanto são necessárias poucas vendas para provocar pressão sobre as bolsas.

No câmbio, o euro chegou a operar acima de US$ 1,30 durante a madrugada. A moeda foi beneficiada pelo avanço da maior parte das bolsas asiáticas e pela ata considerada otimista da última reunião de política monetária do Banco da Reserva da Austrália, que sugeriu que as taxas de juros poderão ser elevadas novamente no próximo mês.

No entanto, a moeda perdeu força no início da manhã e operou abaixo de US$ 1,29, conforme as preocupações com os balanços somaram-se às expectativas com os testes de estresse dos bancos europeus. Relatos da imprensa afirmaram ontem que o Hypo Real Estate, um fornecedor de crédito da Alemanha que foi parcialmente nacionalizado no ano passado, fracassou nos testes.

O dólar não apresentava desempenho muito melhor do que o do euro e tinha leve queda diante do iene. Um indicador sobre o setor imobiliário que será divulgado nesta manhã e o depoimento do presidente do Federal Reserve, Ben Bernanke, amanhã pesam sobre a moeda norte-americana.

Às 9h22 (de Brasília), Londres caía 0,93%, Paris perdia 1,64% e Frankfurt recuava 1,45%. O euro declinava para US$ 1,2856, de US$ 1,2945 no fim da tarde de ontem, enquanto o dólar operava quase estável, a 86,88 ienes, de 86,86 ienes. Na Nymex, o petróleo para agosto caía 0,86%, para US$ 75,88 por barril. As informações são da Dow Jones.

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