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Thiago de Aragão: China traça 6 estratégias para pós-covid que afetam EUA e Brasil

Nervosismo com EUA e Petrobras fazem índice desabar 7,7%

Uma nova onda de pavor com a economia dos Estados Unidos, combinada com queda acentuada das commodities e a decepção com os resultados da Petrobras chacoalharam a Bolsa de Valores de São Paulo. Com tanta pressão de uma só vez, o Ibovespa naufragou 7,75 por cento nesta quarta-feira, para 34.373 pontos, voltando ao menor patamar em duas semanas. E, diferente das últimas três sessões consecutivas de alta, o volume financeiro ganhou força, atingindo 5,09 bilhões de reais. Desde antes da abertura dos negócios, o dia prometia ser de prejuízos, depois que a gigante de varejo dos Estados Unidos Best Buy reduziu suas previsões de lucro, prevendo queda nos gastos do consumidor do país nas compras de final de ano. No plano doméstico, o lucro recorde de 10,85 bilhões de reais no terceiro trimestre aliviou a decepção do mercado com a piora em indicadores operacionais da Petrobras. Sua ação, a mais importante do Ibovespa, desabou 13,76 por cento, a 20,62 reais, o segundo pior desempenho da carteira. O papel também foi pressionado por outro tombo na cotação do barril do petróleo, para a faixa de 55 dólares. Vale, a outra gigante da bolsa paulista, engrossou o movimento, ao cair 6,65 por cento, para 23,86 reais. BM&F Bovespa, que reportou lucro líquido de 235,6 milhões de reais no trimestre, não teve melhor sorte: a ação perdeu 8,45 por cento, a 5,20 reais. Mas o ambiente azedou de vez depois de o secretário do Tesouro norte-americano, Henry Paulson, avisar que o governo recuou do plano inicial de uso do pacote de 700 bilhões de dólares para socorrer o setor financeiro. Em vez de comprar títulos podres das instituições atingidas pela crise de crédito, o órgão vai usar os recursos para capitalizar os bancos. Essa idéia, antes defendida pela maior parte do mercado, foi interpretada como sinal de que o governo pode estar enxergando novos problemas nos bancos. "Os mercados receberam muito mal as declarações do Paulson", disse Roberto Padovani, economista-chefe do WestLB. O nervosismo de Wall Street ainda piorou depois de fechados os negócios da Bovespa. Os principais índices das bolsas de Nova York chegaram a bater cerca de 5 por cento de queda. (Edição de Vanessa Stelzer)

ALUÍSIO ALVES, REUTERS

12 de novembro de 2008 | 19h19

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