Nervosismo cresce no mercado com dólar a R$ 3

O dólar comercial negociado no mercado à vista manteve-se quase todo o dia cotado acima de R$ 3,00. A pressão é reflexo das tensões dos investidores com a economia brasileira diante do cenário pré-eleitoral, que levaram o risco País a atingir 1.993 (diferença de 19,93 pontos porcentuais entre títulos equivalentes do Tesouro americano e do governo brasileiro). Os mercados aguardam pronunciamento do ministro da Fazenda, Pedro Malan, anunciado há pouco, mas sem definição de temas. Às 15h, o dólar comercial estava sendo vendido a R$ 3,0080; em alta de 0,40% em relação às últimas operações de ontem. Ao longo do dia, o valor mínimo negociado foi de R$ 2,9900 e o máximo, de R$ 3,0300. Com o resultado apurado agora, o dólar acumula uma alta de 29,75% no ano e de 6,56% em julho.Embora sem fatos novos de destaque de ontem para hoje, os especialistas de mercado afirmam que o sentimento nas mesas de operações é de pessimismo e a disposição é de buscar aplicações mais seguras. Por isso o dólar é a opção preferida. Mas não há muita oferta e nem muitos compradores a uma cotação tão alta. "O mercado parece estar esperando alguma coisa acontecer, passar o final de semana para avaliar se essa pressão do dólar se sustenta", disse um especialista, acrescentando que as expectativas em torno do acordo entre o Brasil e o Fundo Monetário Internacional (FMI) foram colocadas momentaneamente de lado. A avaliação é que o tema só voltará a ter peso nas transações se alguma medida concreta for anunciada.Também pesa o rescaldo do impacto negativo no mercado da pesquisa Ibope divulgada ontem à noite. A pesquisa mostrou Lula ainda na liderança e atestou o crescimento de Ciro e a queda de Serra. O que mais surpreendeu, contudo, foi a disparada do candidato da Frente Trabalhista na sondagem de segundo turno, atingindo 47% contra 40% de Lula. Os investidores, que preferem Serra, não vêem com bons olhos a liderança dos candidatos oposicionistas no Ibope. Embora a pesquisa já tenha vazado ontem, o profissional disse que a preocupação com o cenário político continua afetando os negócios.Na Bolsa, o clima também é ruim. O destaque de queda foram as ações de bancos. No início da tarde, Bradesco caía 4,08% e Itau ON perdia 2,99%. Segundo operadores, a desvalorização dos papéis estaria relacionada às desconfianças que pairam sobre alguns dos principais bancos norte-americanos, que estão sob suspeita de envolvimento em fraudes contábeis com a Enron. Investidores temem uma reclassificação de risco dos bancos brasileiros por parte das agências de rating. Contudo, há quem acha um exagero fazer essa analogia com os bancos brasileiros. Em tempos normais, as ações de Itaú e Bradesco estão entre as preferidas dos investidores estrangeiros.A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) opera em queda de 2,05% em 9463 pontos e volume de negócios de cerca de R$ 352 milhões. Com o resultado de hoje, a Bolsa acumula uma baixa de 30,29% em 2002 e de 15,05% só em julho. Das 50 ações que compõem o Ibovespa - índice que mede a valorização das ações mais negociadas na Bolsa -, 8 apresentaram alta. Também pesaram negativamente as críticas que teriam sido feitas por Anne Krueger, a vice-diretora-gerente do FMI à recente queda dos juros determinada pelo governo. Segundo rumores, Krueger ainda teria condicionado qualquer eventual acordo à interrupção da queda dos juros.Com iss, os contratos de DI futuro com vencimento em janeiro de 2003 negociados na Bolsa de Mercadorias & Futuros pagavam taxas de 23,200% ao ano, frente a 22,300% ao ano ontem. Já os títulos com vencimento em julho de 2003 apresentam taxas de 27,450% ao ano, frente a 27,300% ao ano negociados ontem.Nos Estados Unidos, o Congresso passou uma lei contra fraude contábil, mudando o sistema de supervisão para as firmas de contabilidade e ampliando as penas para executivos condenados por prejudicar acionistas. O projeto foi enviado ao presidente George W. Bush, que deve sancioná-lo em breve. Mas o clima de desconfiança em relação às empresas continua, mesmo que os mercados tenham operado hoje com mais calma.Em Nova York, o Dow Jones - Índice que mede a variação das ações mais negociadas na Bolsa de Nova York - apresenta queda de 0,67% (a 8131,8 pontos), e a Nasdaq - bolsa que negocia ações de empresas de alta tecnologia e informática em Nova York - cai 0,20% (a 1237,60 pontos). O euro opera em queda de 1,73%; sendo negociado a US$ 0,9882. Na Argentina, o índice Merval, da Bolsa de Valores de Buenos Aires, em queda de 1,83% (355,02 pontos). Não deixe de ver no link abaixo as dicas de investimento, com as recomendações das principais instituições financeiras, incluindo indicações de carteira para as suas aplicações, de acordo com o perfil do investidor e prazo da aplicação. Confira ainda a tabela resumo financeiro com os principais dados do mercado.

Agencia Estado,

26 de julho de 2002 | 15h16

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