Nervosismo faz risco Brasil bater os 1.700 pontos

Antes da reunião do Copom, integrantes da equipe econômica do governo disseram que o dólar estava em "overshooting", sugerindo, assim, que o mercado extrapolava na desvalorização dos ativos brasileiros, inclusive o real. Na época, o prêmio de risco brasileiro estava na casa de 1.200 pontos. O que não diriam agora, quando o risco brasileiro, na manhã desta sexta-feira, atingiu máxima de 1.700 pontos? A taxa de hoje é mais de 100 pontos acima dos 1.590 atingidos ontem, quando o mercado se estressou com uma combinação de más notícias: o rebaixamento da perspectiva de rating do Brasil pela Moddy´s para negativa, a pesquisa do Ibope e o aumento da aversão a risco no mercado externo. Numa manhã em que a vitória da seleção brasileira sobre a Inglaterra contrasta com o tom de pessimismo extremo dos jornais, os demais mercados também sinalizam abertura negativa, com baixa na bolsa e alta do dólar e juros nos futuros. Analista de banco estrangeiro consultado pela AE observou que, embora parte da responsabilidade pela atual turbulência seja atribuída a equívocos do BC, só uma melhora consistente do quadro eleitoral, com aumento real das chances do candidato José Serra, pode amenizar o mau humor. Incerteza eleitoral a parte, contudo, o analista considera que o mercado já pode estar extrapolando nos movimentos destes últimos dias.Para ele, por mais que se tema um eventual governo Lula, não há risco de insolvência para o Brasil no curto prazo. O analista observa que, diferente de outros países que entraram em default, a dívida externa pública brasileira é baixa. A dívida interna é relativamente elevada, mas o nível de 54% do PIB é normal não para os padrões internacionais. Ademais, pontuou o profissional, o Brasil tem uma tradição de honrar a dívida interna, mesmo em momentos de elevado estresse. "Num limite extremo, o que pode acontecer é o BC encurtar tanto os títulos que a dívida passará a ser rolada no overnight, mas sem calote", comentou a fonte, lembrando que era assim que o País se refinanciava antes do plano real. Se prevalecer esta tese de exagero, o analista não descarta alguma melhora no mercado brasileiro, mas admite que a tendência continuará sendo de volatilidade. Às 10h02, o dólar comercial estava sendo cotado a R$ 2,7720, com alta de 0,02% em relação aos últimos negócios de ontem. No mercado de juros, os contratos de DI futuro com vencimento em janeiro de 2003, negociados na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), pagam taxas de 24,300% ao ano, frente a 24,200% ao ano negociados ontem. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) opera em alta de 0,24%.

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