Denis Balibouse- Reuters
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ESG

Coluna Fernanda Camargo: É necessário abrir mão do retorno para fazer investimentos de impacto?

Nestlé investe para atender novos padrões de consumo

Portfólio para este ano conta com oito lançamentos, como leite com adição de fibras e vitaminas, zero lactose, orgânico, com ômega 3 e mais proteína

Broadcast Agro, O Estado de S.Paulo

23 de setembro de 2019 | 06h00

No embalo de tendências globais de consumo de lácteos, a Nestlé se volta para as particularidades da demanda dos brasileiros, que também têm mudado suas preferências. Até o fim de 2019, terão sido investidos R$ 95 milhões na pesquisa e no desenvolvimento de novos produtos e na adaptação de duas fábricas, em Araçatuba (SP) e Ituiutaba (MG). O portfólio para este ano conta com oito lançamentos, como leite com adição de fibras e vitaminas, zero lactose, orgânico, com ômega 3 e mais proteína. Antonio Diogo, vice-presidente de Lácteos no Brasil, diz à coluna que é preciso ampliar o leque de opções para atender aos diferentes perfis de consumidores e suas demandas nutricionais. Ele não antecipa números sobre o potencial de vendas, mas aponta que só o mercado de leite vegetal tem avançado 30% ao ano no País. O Ninho Vegetal, feito à base de aveia e proteína de ervilha, chega ao mercado até o início de outubro.

Produtor adere. Para desenvolver o Ninho Orgânico – lançado no início do mês –, a Nestlé teve de fomentar a cadeia produtiva, além de adaptar linhas de produção da indústria em Araçatuba. Hoje, 49 criadores paulistas estão convertidos ou em processo de conversão para a pecuária orgânica. O fornecimento alcança 32 mil litros/dia. “Isso dobra o volume total de leite orgânico produzido no País”, diz Diogo, acrescentando que R$ 10 milhões por ano, desde o fim de 2016, foram investidos só neste segmento.

Ser ou não ser… O ex-ministro da Agricultura Blairo Maggi voltou de viagem ao Vale do Silício, na Califórnia (EUA), com mais dúvidas do que respostas. Segundo ele, a mudança nos hábitos de consumo obriga produtores a trabalharem “de forma mais limpa”, observando “as práticas do conforto animal”, e isso favorece as carnes de laboratório. “Se nós, do agronegócio, não apresentarmos alternativas, comportamentos adequados, outros farão, e em uma velocidade impressionante”, alerta.

…eis a questão. Para ele, o hambúrguer feito de vegetais terá efeito menos negativo à pecuária do que as carnes de laboratório. Estas, sim, diz, são um perigo real. “A ameaça à pecuária paira também sobre soja e milho. Afinal, grãos são usados para fazer a proteína”, enfatiza, em relação ao uso dos componentes na ração.

Pela rede. Pouco mais de um mês após a primeira emissão de uma Cédula do Produto Rural (CPR) eletrônica no País, o sócio do escritório Luchesi Advogados e idealizador da iniciativa, Antonio Carlos Freitas, contabiliza mais de dez “e-CPRs”. Esses títulos são apresentados por produtores a empresas de insumos como compromisso de pagamento com a produção agrícola. As CPRs físicas demoram até 100 dias para obter registro em cartório, pela dificuldade de coletar as assinaturas dos envolvidos. Já a emissão da e-CPR se deu em dez dias, com a adoção de assinaturas digitais criptografadas em uma plataforma online.

Sem volta. A startup BartDigital entrou como parceira de Freitas na estruturação e emissão das e-CPRs, utilizando seus sistemas. Estima-se que, a cada safra no Brasil, sejam emitidas cerca de 200 mil CPRs físicas, que movimentam mais de R$ 100 bilhões/ano. Freitas avalia que, em até três anos, a maioria dos títulos será eletrônica. “É uma solução que o mercado demandava. Com a economia de tempo, será possível fazer mais negócios e empresas passarão a considerar o título como opção de crédito.”

Disparada. Na Semana do Brasil, entre 6 e 15 de setembro, o volume financeiro com venda de consórcios para o agronegócio do Banco do Brasil cresceu 1.137% ante os mesmos dias de 2018. As cotas comercializadas saíram de 123, ou R$ 18,7 milhões, para 2.599, ou R$ 231,3 milhões. Durante a campanha, realizada pela primeira vez em 2019, o BB deu desconto de 30% na taxa de administração. O aumento é atribuído também às novas linhas de consórcio para rebanhos e materiais genéticos, criadas este ano, que se juntaram às de caminhões e tratores.

Bom destino. Com expertise na logística reversa de embalagens de defensivos, a Campo Limpo investiu 21 milhões em nova fábrica de recipientes feitos a partir de resinas recicladas de produtos descartados. A unidade, em Ribeirão Preto (SP), gerará 40 empregos, ficou pronta em seis meses – normalmente a construção é modular e demora até três anos – e será inaugurada na sexta-feira (27). A legislação brasileira obriga o produtor a dar uma destinação controlada às embalagens de defensivos utilizados nas lavouras.

Nova ordem. A demanda crescente da nova geração de agricultores por insumos agrícolas que assegurem qualidade além de produtividade leva a americana Compass Minerals, de fertilizantes especiais, a investir neste ano 30% mais em inovação. São R$ 16 milhões para o desenvolvimento de adubos para venda direta ao produtor. A Compass também fornece matérias-primas a outros fabricantes de adubos. “O novo agricultor carrega uma nova visão de sociedade, que se preocupa com uso eficiente de insumos e rastreabilidade”, conta Gustavo Vasques, presidente para a América do Sul.

Dois coelhos. Os produtos finais para agricultores, de maior valor agregado, representam hoje 70% das vendas da companhia, mas a intenção é chegar a até 90% em cinco anos. O faturamento na América do Sul foi de US$ 392 milhões, quase 30% da receita global, de US$ 1,493 bilhão.

/COLABOROU TÂNIA RABELLO

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