Nestlé investirá US$ 200 milhões no País

O Brasil, com a China e a Índia, é peça-chave na estratégia de crescimento da empresa nos países emergentes

Jamil Chade, O Estadao de S.Paulo

19 de outubro de 2007 | 00h00

A Nestlé prevê a possibilidade de ampliar seus investimentos no Brasil em pelo menos US$ 200 milhões para atender ao consumo crescente tanto das classes mais populares como para introduzir produtos de luxo. O Brasil faz parte da estratégia da empresa suíça de se lançar nos principais mercados emergentes com força total.A companhia se baseia nas projeções da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) que indicam que China, Brasil e Índia serão mercados consumidores que acumularão vendas de US$ 70 bilhões nos próximos dez anos em produtos alimentícios. ''''Queremos uma parcela desse mercado'''', disse Peter Brabeck, presidente do conselho de administração da Nestlé.Ontem, a empresa anunciou seus resultados para o período de janeiro a setembro, com vendas de US$ 67 bilhões no mundo, 9% acima do valor registrado em 2006. Os altos preços das commodities, porém, forçaram a Nestlé a aumentar os preços de seus produtos em 2,7% e afetarão seu crescimento para o segundo semestre.No Brasil, os planos são de expansão. O primeiro passo foi o investimento em uma fábrica em Feira de Santana (BA) para atender ao mercado do Nordeste. ''''Inauguramos a fábrica em fevereiro e, hoje, ela já está com sua capacidade de produção de 40 mil toneladas totalmente esgotada'''', disse Paul Bulcke, presidente da empresa para as Américas e o próximo presidente mundial da Nestlé. Segundo ele, o crescimento da empresa no Brasil ficou acima da média mundial de janeiro a setembro. Mas ele evitou dar números.A Nestlé agora planeja a ampliação da produção na Bahia. ''''O potencial para investimentos no Brasil é muito grande e podemos dobrar o valor (investido) na fábrica no Nordeste'''', disse Paul Polman, que irá assumir a partir de 2008 a presidência do grupo para as Américas.Polman era o favorito para se tornar o novo presidente da Nestlé. Mas perdeu a corrida para Bulcke e agora o substituirá no comando das Américas, a região que mais gera lucros à Nestlé. Segundo ele, o alvo da Nestlé é capturar a nova classe média que surge não apenas no Brasil, mas nos demais países emergentes. Mas a estratégia no Brasil não visa apenas atender à classe média. ''''Há um novo grupo de pessoas surgindo no Brasil com alto poder aquisitivo e acreditamos que há espaço para produtos de luxo ou de classe diferenciada, como o Nespresso'''', afirmou Polman.Outro pilar da estratégia é a introdução de produtos de saúde e de nutrição no Brasil. O setor é a grande aposta da Nestlé para os próximos anos, diante das exigências de uma alimentação mais saudável por parte dos consumidores. A companhia ainda acena com investimentos na área de alimentos para animais.Polman não deixa de destacar alguns desafios que o País precisa superar para que a economia, e os negócios, possam crescer mais. ''''O Brasil precisa desenvolver sua infra-estrutura e ter um sistema de impostos mais racional. O País vem crescendo e a estabilidade econômica é algo que está trazendo ganhos. O Brasil precisa crescer com bases sólidas, e não sobre a areia'''', disse.A Nestlé alerta que um dos problemas que o setor de alimentos terá nos próximos meses será a alta dos preços das commodities. Para a empresa, os impactos serão sentidos até meados de 2008. Depois disso, a tendência é de estabilização. ''''Depois de dez anos de estabilidade, os preços das commodities vão passar para um patamar mais elevado'''', afirmou Brabeck.

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