Nestlé quer manter Garoto e pretende entrar com recurso

O diretor jurídico da Nestlé, Humberto Maccabelli, disse hoje que a empresa pretende entrar com recurso no Cade, propondo uma nova configuração para a operação de compra da Garoto pela Nestlé. Segundo o diretor, é possível que a empresa proponha desinvestimentos em alguns segmentos em que foi identificada uma grande concentração de mercado em conseqüência da fusão, bem como a venda de algumas marcas de chocolates produzidas pelas duas companhias. "Estamos estudando a possibilidade de apresentar um recurso, seguindo os parâmetros do Regimento do Cade citados pelo presidente (do conselho) João Grandino Rodas, talvez um novo formato de acordo de fusão", disse Macabelli. Ele insistiu, entretanto, em que a Nestlé ainda não tem uma posição definitiva sobre o formato desse recurso, mas garantiu que ele deverá ser apresentado nos próximos dias. Macabelli reconheceu que a apresentação desse recurso é difícil, já que o regimento do Cade estabelece que questionamentos dessa natureza só podem ser feitos caso surjam novos fatos após a decisão tomada. "O que podemos tentar é um recurso baseado no Regimento, que vise encontrar uma solução, ver os itens onde existe concentração e que podemos ter desinvestimento para encontrarmos equilíbrio de mercado", afirmou. Na opinião do diretor, o Cade já poderia ter determinado a venda de marcas de produtos, assim como foi feito em casos como o da criação da AmBev e da compra da Kolynos pela Colgate. "A empresa não gostou da decisão, e o voto do relator foi exagerado", avaliou. "Pela jurisprudência, era possível sugerir medidas que visassem à regulação do mercado". Empresa quer manter a GarotoO diretor de Assuntos Corporativos da Nestlé, Carlos Faccina, afirmou que sua empresa continua interessada em manter a Chocolates Garoto. "As nossas intenções continuam as mesmas, independente do voto contrário", afirmou Faccina, em resposta ao senador Magno Malta (PL-ES), que participou de audiência pública na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado. De acordo com o diretor, as intenções da Nestlé sempre foram de comprar em bloco a empresa Garoto para aproveitar as sinergias da operação e investir nas exportações de cholocate. "A Garoto não é só uma atividade isolada", disse. O senador Magno Malta disse que a bancada do Espírito Santo quer contar com o apoio do governo para tentar reverter a decisão do Conselho Administrativo de Defesa Econômica e insistiu que em determinados momentos as determinações de uma lei devem ser sobrepostas.

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