Nestlé sabia que aquisição poderia ser reprovada, diz relator

O relator do caso Nestlé/Garoto no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), conselheiro Thompson Andrade, afirmou que a Nestlé tinha consciência de que a aquisição da Garoto poderia ser reprovada pelo Conselho. Segundo o relator, a multinacional suíça havia assinado um acordo de preservação de reversibilidade da operação, logo quando o caso foi apresentado ao Cade. Segundo ele, esse acordo previa o impedimento de qualquer operação que pudesse tornar difícil a reversão da fusão. "O acordo é um indício de que a Nestlé sabia que o Cade podia não aprovar a operação", observou. Andrade disse que uma das medidas mais importantes desse acordo era a preservação dos empregos dentro da Garoto. A Nestlé, segundo o relator, solicitou autorização para adequar o quadro de funcionários à realidade dos volumes que vinham sendo produzidos na fábrica instalada no Espírito Santo. "É um eufemismo. Em linguagem simples, significa que a Nestlé queria que o Cade permitisse a demissão de funcionários", disse Andrade, durante audiência pública promovida pela Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado sobre a fusão das duas fábricas de chocolates.

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