Nestlé suspende investimento de US$ 150 milhões na Garoto

Um dia após ser obrigada pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) a se desfazer da Garoto, a Nestlé anunciou nesta quinta-feira que suspendeu investimentos de US$ 150 milhões no Espírito Santo, sede da fábrica da Garoto. A decisão foi anunciada pelo presidente da multinacional no Brasil, Ivan Zurita, que pela primeira vez reuniu os funcionários da Garoto, na fábrica em Vila Velha, para um pronunciamento. Zurita classificou como ?uma luta pessoal? a campanha para tentar reverter a decisão do Cade.Ele disse aos funcionários que a Nestlé ?não abre mão? da Garoto, segundo fontes que assistiram o pronunciamento. O presidente da multinacional não falou em venda nem fechamento da fábrica e prometeu que iria retornar ao mesmo local para comunicar que ?a Garoto é nossa?. Ele informou que também está suspenso, ao menos temporariamente, o projeto de construção de uma fábrica de café solúvel em Colatina, também no Espírito Santo, que já havia recebido aprovação do governo do Estado para um pedido de incentivo tributário.Zurita esteve com o governador em exercício, Wellington Coimbra, e com o prefeito da cidade, Max Filho (PDT). Para o prefeito, um possível fechamento da fábrica seria ?um flagelo? para a cidade. Ele disse que a preocupação da prefeitura é com a manutenção dos empregos e da arrecadação da fábrica, independente do proprietário. A presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Alimentação do município, Linda Moraes, disse que o clima entre os empregados é de ?apreensão total?. O secretário de Desenvolvimento Econômico do Espírito Santo, Júlio Bueno, anunciou que o Estado vai recorrer judicialmente da decisão do Cade.Em Brasília, o Cade disse que o prazo de 150 dias dado para a Nestlé vender a Garoto poderá ser prorrogado a pedido da multinacional suíça, caso a empresa encontre dificuldades em encontrar compradores. A prorrogação dependerá de aprovação do plenário do Cade, que precisará de ?um motivo plausível?, segundo a assessoria do conselho.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.