Netshoes contrata banco para buscar novo investidor

Rede, que já tem quatro fundos como sócios, cresceu muito nos últimos anos, mas ainda opera no vermelho

Fernando Scheller, O Estado de S.Paulo

14 de março de 2014 | 02h03

A rede de varejo de produtos esportivos online Netshoes está em busca de um novo investidor, segundo fontes de mercado. A empresa, fundada pelo empresário Marcio Kumruian, precisaria de dinheiro novo para financiar sua expansão. Para isso, contratou o banco Morgan Stanley para selecionar potenciais candidatos a investidor.

Com investimento de quatro fundos - os americanos Tiger Global e Iconiq, o latino-americano Kaszek Ventures e o Temasek, de Cingapura -, a empresa trabalha com duas possibilidades, apurou o Estado.

A primeira é a atração de capital novo, de um novo sócio, que se juntaria aos cotistas atuais - estratégia preferida dos fundos. Outra é a venda da operação, que agradaria mais ao fundador, que não teria condições de acompanhar os sócios em um aumento de capital. "As opções dele são vender o negócio ou ter a participação diluída", diz uma fonte a par das conversas.

Caso a saída seja a venda, fontes de mercado apontam candidatos como as varejistas americanas Walmart e Amazon, com vantagem para a primeira. Fundos de private equity locais também já teriam sido procurados pela companhia.

Uma estratégia de capitalização aventada em 2013 - a abertura de capital da bolsa eletrônica Nasdaq, em Nova York - não teria gerado interesse.

Crescimento. A Netshoes é considerada um caso emblemático da expansão do comércio eletrônico brasileiro. A empresa começou em 2000, com uma loja física em São Paulo, mas focou no online em 2007. Cresceu rapidamente desde então.

Em 2012, a companhia faturou R$ 1,15 bilhão. No entanto, o prejuízo ficou em quase R$ 80 milhões, mais do que o dobro da perda de 2011.

Fontes de mercado disseram que a empresa precisa provar que consegue ter uma operação azeitada o suficiente para ser lucrativa. É justamente por operar no vermelho que a companhia precisaria de outra rodada de investimentos.

A estratégia da Netshoes se concentra na venda de produtos de grandes marcas, como Nike e Adidas - que recentemente "turbinaram" suas plataformas de e-commerce no País. Outras redes online rivais, como a Dafiti, migraram para produtos de marcas próprias, que teriam margem maior.

Procurado pela reportagem, Marcio Kumruian, fundador da Netshoes, não comentou o assunto. / Colaborou Mônica Scaramuzzo

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