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NFTs ajudam a popularizar mercado de criptoativos

Para especialistas, itens digitais que viraram foco de colecionadores são ‘mais palpáveis’ para o público em geral

Aramis Merki II, O Estado de S.Paulo

23 de abril de 2022 | 04h00

Mesmo para os poucos versados em criptoativos, alguns termos já não causam surpresa, ainda que o significado seja nebuloso. Do ano passado para cá, foi uma sigla que entrou nesse rol. NFT, que em português pode ser traduzida como tokens não fungíveis. São itens digitais – como imagens, vídeos áudios, aplicações em jogos – que têm um registro feito na rede blockchain e, com isso, são à prova de falsificações e reproduções.

As NFTs trazem a possibilidade de entender que o mundo cripto não se resume apenas às moedas digitais, na visão da analista Helena Margarido, da casa de análise Monett.

Helena considera que imagens colecionáveis e itens de jogos que são desenvolvidos em NFT são mais palpáveis do que a moeda digital em si, e portanto compreendidos mais facilmente.

Ela lembra que, apesar de estarem baseados na tecnologia blockchain, os produtos são completamente diferentes, com usos distintos.

A popularização dos tokens ao longo de 2021 foi uma das principais portas de entrada para o investimento em cripto, indica Bruno Milanello, executivo de Novos Negócios do Mercado Bitcoin. “As NFTs conversam com as pessoas. 

Elas veem uma associação mais clara com o mundo que já conhecem.” Ainda que não se perceba a inovação tecnológica por trás, esses produtos demonstram a segurança da rede em garantir autenticidade.

O caráter afetivo de imagens associadas a artistas, clubes esportivos ou personagens é um ponto positivo para agregar novos adeptos. No início do mês, por exemplo, a Volkswagen lançou a Digital Garage, plataforma que vende ilustrações de carros da montadora em cartões digitais. 

Os preços partem de R$ 50. De acordo com a empresa, uma hora após o lançamento, 130 pacotinhos de figurinhas haviam sido vendidas no site.

Consolidação

Mas, como indústria, essa profusão de criações deve encarar um momento de consolidação, ainda que seja possível se perpetuar em nichos. Assim como há cerca de 19 mil criptoativos atualmente, as NFTs chegam a surgir aos milhares a cada dois ou três dias. “Não tem espaço para tudo isso, do ponto de vista de um ativo que vai se valorizar e ser um investimento”, afirma Milanello.

O Mercado Bitcoin lançou sua primeira coleção de NFTs em janeiro. Atualmente, já está na quarta emissão, e entre as obras ofertadas estão imagens animadas do apresentador Silvio Santos e representações de carros antigos. Este último rendia aos compradores também uma experiência “na vida real”: um passeio no automóvel que está representado no NFT.

Outra que se movimenta para lançar um marketplace desse tipo de arte é a NovaDAX. A empresa nascida no Brasil, e que pertence ao grupo chinês Abakus, está em desenvolvimento da plataforma que vai ofertar NFTs em parceria com a NovaPlanet. A CEO da NovaDax, Beibei Liu, afirma que a atuação nessa área tem o objetivo de expandir a base de clientes, focando principalmente um público mais jovem.

Na quarta-feira passada, a Coinbase, maior corretora de criptoativos dos Estados Unidos, anunciou a estreia do seu marketplace de NFTs. A ferramenta está disponível apenas para uma parcela dos clientes, mas há uma fila de espera com 1,5 milhão de interessados. Outras gigantes globais na negociação de bitcoin e outras cripto, como FTX e Binance, já têm suas plataformas.

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