Nicarágua pode conceder à China um canal igual ao do Panamá

Congresso do país discute projeto de US$ 40 bilhões para competir com rota de navegação do vizinho

Economia & Negócios,

07 de junho de 2013 | 18h18

 

SÃO PAULO - A Nicarágua estuda um projeto para conceder a uma empresa chinesa o direito de exploração por 100 anos de um canal alternativo ao Canal do Panamá, em um projeto que poderá ter profundas implicações geopolíticas.

O presidente da Assembleia Nacional do país, René Nuñez, anunciou que o projeto de US$ 40 bilhões deverá reforçar a crescente influência de Pequim sobre o comércio global e enfraquecer o domínio dos EUA na principal rota de transporte entre os oceanos Pacífico e Atlântico.

O nome da empresa e outros detalhes ainda não foram divulgados. A Assembleia Nacional está debatendo a proposta sobre o novo canal, incluindo um esboço para uma avaliação de impacto ambiental.

O presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, disse recentemente que o novo canal seria construído através das águas do lago Nicarágua. A nova rota poderia vir a ser uma alternativa de maior capacidade em relação ao Canal do panamá, construído há 99 anos, a um custo de US$ 5,2 bilhões.

No ano passado, o governo da Nicarágua anunciou que o novo canal deve ser capaz de permitir a passagem de navios carregados de contêineres de até 250 mil toneladas. Isso é mais que o dobro do tamanho dos navios que passam pelo Panamá.

De acordo com um projeto de lei apresentado ao Congresso no ano passado, canal da Nicarágua terá 22 metros de profundidade e 286 km de comprimento - maior do que o Panamá e o de Suez, em todas as dimensões. De acordo com os planos iniciais para o projeto, a construção poderia demorar 10 anos.

O Canal do Panamá, com 81 quilômetros de extensão,  é considerado um marco para o comércio internacional por ter permitido reduzir de forma expressiva o trajeto dos navios que antes precisavam contornar o Cabo Horn, no extremo Sul da América do Sul. O canal começou a ser construído em 1880 e foi concluído em 1914.

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