Ações

Empresas de Eike disparam na bolsa após fim de recuperação judicial da OSX

Nildemar e Furlan vão copresidir Conselho da nova companhia

Sadia e Perdigão manterão estruturas administrativas separadas por um ano para facilitar a aprovação pelo Cade

Mariana Barbosa, O Estadao de S.Paulo

13 de maio de 2009 | 00h00

O acerto para a união da Perdigão com a Sadia, que pode ser anunciada a qualquer momento, segundo fontes envolvidas na negociação, prevê que as duas companhias continuem operando separadamente por cerca de um ano. Esse é o prazo imaginado para que o caso seja analisado pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Uma vez assinado o contrato, o conselho de administração da nova empresa passará a ter dois presidentes - Nildemar Secches e Luiz Fernando Furlan, que hoje exercem a mesma função na Perdigão e na Sadia. A transação deverá ser fechada por meio de troca de ações, portanto sem envolver dinheiro. A Perdigão ficará com aproximadamente 70% da nova empresa e a Sadia terá os outros 30%. As ações da nova companhia, apelidada pelo mercado de "Sadigão", ficarão pulverizadas no Novo Mercado da Bolsa de Valores de São Paulo. No entanto, dois grandes grupos de acionistas ficarão com uma participação maior no negócio: as famílias Fontana e Furlan, hoje sócias da Sadia, ficarão com cerca de 10% e a Previ, fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil, terá uma participação de 12%.Pelas regras antitruste nacionais, numa fusão as empresas podem fechar o negócio e unir operações antes mesmo da aprovação do Cade. No entanto, as empresas optaram por aguardar a análise do órgão para evitar uma repetição do caso Nestlé e Garoto - que se fundiram, mas depois viram a operação ser rejeitada pelo Cade. "O prazo de um ano é uma deferência em relação ao conselheiros do Cade e isso poderá facilitar a aprovação da operação lá na frente", avalia o advogado de um grande escritório de São Paulo.Isso não significa que as empresas vão esperar um ano para agir. Ainda que as empresas mantenham administrações separadas pelo período de um ano, com dois presidentes executivos, algumas estruturas, como logística e distribuição, deverão ser integradas mais rapidamente.O acordo de troca de ações entre Perdigão e Sadia prevê, numa segunda etapa, imaginada para ocorrer dentro de alguns meses, uma emissão de ações. É nesta fase que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), por meio do BNDESPar, deverá comprar papéis da nova companhia.A emissão foi planejada para remunerar os acionistas que quiserem liquidar suas posições e também para capitalizar a empresa. Uma das tarefas mais urgentes da nova direção será resolver o endividamento da Sadia. Em 31 de dezembro do ano passado, último dado público disponível, a dívida total da companhia era de R$ 8,5 bilhões, sendo R$ 4,1 bilhões de curto prazo. O balanço com as informações do primeiro trimestre será divulgado amanhã, mesmo dia em que a Perdigão divulgará seu balanço.A saúde financeira da Sadia foi afetada por operações malsucedidas com derivativos de câmbio realizadas no ano passado. Essas operações levaram a companhia a registrar um prejuízo líquido de R$ 2,5 bilhões no ano passado, a maior perda de sua história. Foi essa situação que levou as famílias Fontana e Furlan, principais acionistas da Sadia, a discutir a venda da empresa. No começo, eles procuraram sócios dispostos a capitalizar o negócio, mas não encontraram nenhuma proposta capaz de satisfazê-los. Aceitaram, então, negociar com a Perdigão.Em 2006, a Sadia, então mais estruturada, tentou comprar a rival. A Perdigão recusou e, agora, serão sócias.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.