Nilza pode retomar processamento de leite um ano após falência

O início das operações depende apenas de uma licença da Cetesb, já que as obras de infraestrutura foram feitas pela Airex Trading, que comprou a empresa do setor lácteo

Gustavo Porto, correspondente da Agência Estado,

11 de janeiro de 2012 | 12h07

RIBEIRÃO PRETO - A Indústria de Alimentos Nilza deve voltar a processar e produzir leite longa vida até o fim de janeiro, exatamente um ano após ter a falência decretada pelo juiz da 4ª Vara Cível de Ribeirão Preto (SP), Héber Mendes Batista, e há quase dois anos sem operar. O início das operações depende apenas de uma licença da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), já que as obras de infraestrutura - como limpeza de tanques e da linha de produção - foram feitas pela Airex Trading, que comprou a empresa do setor lácteo durante o processo de recuperação judicial.

"A previsão é que a licença saia até o fim da próxima semana para que possamos retomar a produção, com um processamento de 100 mil litros de leite por dia", disse à Agência Estado o advogado e empresário Sérgio Alambert, proprietário da Airex. O retorno das operações deve ocorrer com o processo de julgamento da falência da Nilza ainda inconclusivo.

No dia 25 de janeiro de 2011, o juiz da cidade do interior paulista decretou a falência da Nilza após apontar fraude no processo de recuperação judicial. Escutas telefônicas do Ministério Público mostraram o pagamento a credores para votarem favoravelmente à venda da empresa à Airex. A decisão foi revertida em 31 de maio do ano passado pela Câmara de Falências e Recuperações Judiciais do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJ-SP).

O Ministério Público do Estado de São Paulo recorreu da decisão do TJ-SP, teve o pedido negado, mas entrou com um recurso especial no Superior Tribunal de Justiça (STJ). O recurso deve demorar até três anos para ser julgado, segundo advogados que acompanham o caso.

Alambert decidiu não esperar a decisão final e contratou, desde o fim de 2011, 50 funcionários para limpar e reativar a unidade de Ribeirão Preto, parada desde o início de 2010. Outros 100 empregados devem voltar a trabalhar na Nilza para retomar o processamento e a produção de leite longa vida na cidade paulista. O leite deve vir de dois grandes produtores e será pago à vista, estratégia que garantirá, segundo Alambert, a retomada de uma rede de fornecedores.

"Após 60 dias, queremos ampliar a produção para 250 mil litros de leite por dia e atingir 400 mil litros por dia até o fim de 2012", disse Alambert. "O volume é pouco, mas queremos vender menos leite com margem maior, para evitar os problemas anteriores, quando a produção alta e a margem pequena levaram a empresa a enfrentar essa crise", completou. A unidade de Itamonte (MG) deve voltar a produzir em dois meses e a de Campo Belo segue arrendada até 2016.

Renegociação

Independentemente da decisão do STJ, a Airex deve voltar a renegociar com os credores da Nilza para tentar quitar a dívida sujeita à recuperação judicial, estimada em R$ 450 milhões. Segundo Alambert, a Airex deve propor aos credores a compra da dívida da Nilza por um deságio que pode chegar a 90%. A ação já foi feita em outros processos de recuperação judicial, como o Grupo Arantes. "Acredito que os bancos credores se interessariam em vender, porque essa dívida já foi incluída como prejuízo nos balanços deles", concluiu o proprietário da Airex.

Durante o plano de recuperação judicial, a Airex adquiriu 65% do capital acionário da Nilza controlados pelo empresário Adhemar de Barros Neto. Os 35% restantes ainda estão sob o comando do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

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