Nilza tem prazo de um mês para evitar falência

Sem produzir desde abril, empresa não está conseguindo pagar credores, como prevê seu plano de recuperação

Gustavo Porto, O Estado de S.Paulo

21 de setembro de 2010 | 00h00

RIBEIRÃO PRETO

A Indústria de Alimentos Nilza, que já foi uma das maiores empresas de laticínios do País, tem um mês para tentar evitar a decretação da falência pela Justiça. Sem produzir desde abril e com as duas unidades processadoras de Ribeirão Preto (SP) e de Itamonte (MG) fechadas, a Nilza não tem receita para honrar o início do pagamento de grandes credores do plano de recuperação judicial, previsto para 21 de outubro.

"Se não houver o cumprimento do plano, automaticamente a lei diz que o juiz deve decretar falência; há expectativa de que algum investidor capitalize a Nilza para evitar a falência, ou para dar o cumprimento ao plano", afirmou à Agência Estado o juiz Héber Mendes Batista, da 4ª Vara Cível de Ribeirão Preto (SP).

Batista homologou, em outubro de 2009, o plano de recuperação judicial da Nilza, pelo qual a empresa se comprometeu a iniciar a maior parte do pagamento da dívida de R$ 340,8 milhões daqui a um mês. O prazo para que o investidor seja anunciado é de, no máximo, 15 dias.

O juiz também avalia ao menos dois pedidos de falência por atraso nos pagamentos de credores extra-concursais da Nilza - os feitos após a aprovação do plano. Um é da Cooperativa Agropecuária do Sudoeste Mineiro Ltda. (Casmil), que não recebeu R$ 259,1 mil em duplicatas vencidas e protestadas relativas ao fornecimento de leite. O outro é de uma empresa de fomento mercantil, que tem crédito de R$ 1 milhão para receber pela falta de pagamento de duplicatas de fornecedores vendidas pela Nilza.

O presidente da empresa, Adhemar de Barros Neto, que tem 65% da Nilza (os 35% restantes são do BNDESPar), não tem atendido a imprensa. A advogada da companhia, Sílvia de Luca, foi procurada, mas não se manifestou.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.