Ninguém apresenta proposta para 1ª fase do leilão da Varig

Dos cinco investidores que se pré-qualificaram para o leilão da Varig, nenhum apresentou proposta para a primeira fase. Nessa etapa, seriam feitos lances com valor igual ou superior ao preço mínimo fixado tanto para a companhia inteira (US$ 860 milhões) como para a parte doméstica (US$ 700 milhões).O leilão foi interrompido por cinco minutos e, nessa próxima etapa, os interessados poderão fazer lances por preços abaixo do mínimo. Se houver diferença inferior a 10% entre as novas propostas, o leilão irá para o pregão viva-voz.Essa nova fase está condicionada à interpretação do juiz Luiz Roberto Ayoub, responsável pela recuperação judicial da companhia, que pode considerar as ofertas insatisfatórias e cancelar o leilão.O leilão estava marcado para as 10h e só começou no final da manhã, por volta das 11h50. A mesa que administra o leilão é formada por 11 pessoas, entre elas o juiz Ayoub, o administrador judicial da Varig, Luiz Alberto Fiori, e o presidente da empresa, Marcelo Bottini.No início, o juiz Ayoub fez um pronunciamento à platéia, e foi aplaudido de pé pelos 1.300 presentes no hangar da empresa no aeroporto Santos Dumont. Em sua fala, Ayoub disse que "A Varig é um orgulho para o País". "O que está em jogo hoje não é apenas a Varig, mas todo o teste da nova legislação (a nova lei de recuperação judicial)."Possíveis compradoresSem dinheiro em caixa, a empresa depende do sucesso do leilão, marcado pela Justiça, para escapar da falência. Segundo pessoas envolvidas com o negócio, a companhia aérea OceanAir aparecia como favorita. Seu dono, o empresário German Efromovich, negociou intensamente nos últimos dias com autoridades do governo e da Justiça garantias para entrar no leilão sem correr o risco de herdar dívidas da Varig.Correm por fora o fundo de investimento Matlin Patterson, que comprou a VarigLog (empresa de logística da Varig), e um fundo canadense, que estaria sendo representado pelo escritório de advocacia Ulhôa Canto, Rezende e Guerra.Mas num negócio cercado de questionamentos e dúvidas, feito às pressas para evitar a falência da empresa, nenhum dos envolvidos apostava ontem em um desfecho. Surgiram especulações de todo o tipo, desde que nenhum candidato se sentiria seguro a participar do leilão, até o aparecimento de um investidor de última hora. Uma informação era dada como certa: dificilmente a Varig será vendida pelo preço pedido pela Justiça.O leilãoPelas normas do leilão, a Varig pode ser arrematada de duas formas. A primeira opção tem um preço mínimo de US$ 860 milhões e inclui rotas nacionais e internacionais. Ficam de fora as dívidas, e a área comercial, com as receitas do Programa Smiles e a venda de passagens. Na segunda opção, será vendida a Varig Regional, com as operações no Brasil. Não estão incluídas as dívidas, a parte internacional e o Smiles.As duas opções de venda prevêem que, se não aparecerem propostas na primeira rodada do leilão, não haverá preço mínimo na etapa seguinte.Na luta para viabilizar o leilão, a Varig obteve uma vitória às vésperas do leilão. Um parecer emitido pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) ratificou a decisão judicial de não transferir ao comprador as dívidas fiscais da Varig, o que pode favorecer o clima de concorrência no leilão.A companhia portuguesa TAP, a empresa de reservas de passagens Amadeus, TAM e Gol estiveram no data room. Mas, segundo fontes, estariam inclinadas a desistir do leilão. Já o fundo americano Matlin Patterson não acessou o data room, mas pode fazer seu lance. Depois de comprar a VarigLog por US$ 48,2 milhões, em dezembro, o Matlin fez uma auditoria na companhia.Por meio da subsidiária Volo do Brasil, o Matlin chegou a oferecer US$ 350 milhões pela Varig. "Mais de 64% do faturamento da VarigLog vem da Varig. Ou o fundo fica esperando para ver o que vai acontecer ou entra para não deixar a VarigLog quebrar", diz uma fonte ligada à empresa.Este texto foi atualizado às 15h07

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