Ninguém sairá sem perder da crise energética, diz ministra

A ministra de Minas e Energia, Dilma Roussef, defendeu hoje que os acionistas de empresas do setor assumam a capitalização de suas empresas para que seja possível "superar a atual crise energética". "É preciso um impulso para que o setor retome suas condições de crédito no mercado e isso não cabe apenas ao governo", disse. Ela participou de aula inaugural na Coordenação de Programas de Pós Graduação em Engenharia da UFRJ, em comemoração aos 40 anos da instituição, no Rio.A ministra foi incisiva ao explicar ao público presente no evento, formado por técnicos do setor, estudantes e professores, que da atual crise "ninguém sairá sem perder". "Todos, consumidores, empresas e governo, terão que amargar alguma perda para que o prejuízo não recaia sobre apenas uma cabeça." Segundo ela, não é interesse do governo "blindar o setor" de forma a protegê-lo das oscilações do mercado mundial. "O que pretendemos é que o setor elétrico se torne auto-suficiente e que possa promover sua própria expansão", afirmou.Segundo Dilma, o Ministério trabalha em duas frentes para combater a crise. O primeiro ponto é cuidar das "emergências" em que se transformaram as questões do excedente de energia e a revisão tarifária. O segundo é reestruturar o setor "sobre outras bases". Ele analisou que o modelo existente hoje repete um ciclo baseado na "sobreoferta" e no racionamento, que precisa ser quebrado."O atual modelo é dominantemente baseado na demanda e tem como fator regulador o racionamento. Isso significa que o governo anterior, numa forma suave de dizer, tinha absoluta falta de controle do setor e acreditou que a escassez levaria investidores a aumentar seus investimentos?, disse. De acordo com a ministra, para não repetir o racionamento dentro de poucos anos, será necessário estruturar o planejamento do setor num longo prazo.

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