Felipe Rau/Estadão
Felipe Rau/Estadão

'Ninguém tem certeza. Quem diz ter, é um jogador'

Fundador do grupo Cosan diz que equipe vai rever os planos de investimentos para enfrentar crise; Organização afirma que está engajada em não dispensar funcionários

Entrevista com

Rubens Ometto Silveira Mello, fundador do grupo Cosan

Mônica Scaramuzzo, O Estado de S.Paulo

26 de março de 2020 | 14h37

Um dos maiores empresários do País, Rubens Ometto Silveira Mello, dono do grupo Cosan, diz que há muitas incertezas e ninguém tem uma fórmula para sair da crise provocada pelo coronavírus. “Qualquer coisa que se fale, é chute.”

Dono de ferrovias, postos de combustíveis e distribuidoras de gás, Ometto afirmou que projetos do grupo podem ser revistos, com exceção da Rumo, ferrovia importante para manter ativo o agronegócio.

Segundo ele, é preciso combater a doença e manter os empregos: “É preciso serenidade”. A seguir, os principais trechos da entrevista.

Como o sr. está vendo o impacto do coronavírus e o ruído entre parte dos governadores e Brasília?

É muito difícil falar. Ninguém sabe direito. Qualquer coisa que você fale, é chute. Você tem uma vontade grande que a economia volte e as engrenagens comecem  rodar. E do outro lado, um programa médico de combate ao vírus porque os estragos podem ser quão profundos quanto os estragos que o vírus pode fazer. Dá para entender essas duas posições  porque o desastre na economia será muito grande. 

Mas não falta um líder para conduzir este processo?

Não vou entrar nisso. Existem pontos de vistas diferentes. Os dois querem o bem do País, cada um a seu jeito. Difícil falar com está certo ou errado.

O governador João Doria reafirmou o seu apoio após a Cosan informar que vai manter os empregos.

Estamos engajados nesta ideia de não haver dispensa. 

Qual deveria ser a estratégia para combater o coronavírus no Brasil?

Difícil falar se não tem todos os números. Acho que só injetar dinheiro na economia não resolve. Porque se o pessoal não vai trabalhar e fica em casa, a economia não roda. É  uma equação difícil. O pessoal está indo por tentativas para saber o que vai melhor. Um plano Marshall ajudaria as pessoas a não ficar  sem empregos. Mas a equação é  difícil. Não dá para ficar nervoso. Tem de ter serenidade.

Como empresário, o que deveria ser feito?

Essa pergunta vale um bilhão de dólares. Não  tem todos os dados. Tem de combater a doença e preservar o emprego. O governo não vai aguentar a subsidiar isso o tempo todo.

O sr. defende um meio termo?

Tem de ir administrando. Precisa dar um tempo ver para onde vai. Há  negócios muito afetados: bares fechados, shoppings, demanda por combustível caiu 50%. Como vai ser isto? Como fazer isso? Não sei. Se ficar muito tempo, onde isso vai parar? Vamos ver como ficam as coisas até o dia 7. 

Como tem sido suas conversas com as principais lideranças empresariais?

Ninguém tem certeza. Quem diz ter certeza, é um jogador. O que preocupa é que as engrenagens da economia não parem demais. Senão, se resolve de um lado e mata do outro. Planos e estratégias têm de ser revistas. Estava tudo tão bem, organizadinho.

O sr. vê impactos na economia?

Sim. A tendência dos empresários é trabalhar para que se resolva logo. A verdade é que não tem o que falar. É chute. Temos de esperar um pouco. Esperar 7 de abril. 

Os planos de investimentos do grupo Cosan serão revistos?

Vamos rever os planos de investimentos. Temos de ver o que vai acontecer. Os projetos da Rumo são irreversíveis para manter o agronegócio. Para outros projetos,  como refinarias, temos de ver o que vai acontecer.

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