Clayton de Souza/Estadão
Clayton de Souza/Estadão

Nippon quer rever acordo de acionistas

Grupo japonês, sócio da Usiminas, quer incluir cláusula que permitaresolução de conflitosmesmo sem consenso

MÔNICA SCARAMUZZO, O Estado de S.Paulo

23 Dezembro 2014 | 02h04

A Nippon Steel, que faz parte do bloco de controle da Usiminas, quer incluir uma cláusula no acordo de acionistas da siderúrgica para resolução de conflitos, quando não há consenso em decisões importantes entre os sócios, apurou o Estado. O grupo japonês e a Ternium, braço do grupo italiano Techint, travam uma disputa na Justiça desde que três executivos do alto escalão da siderúrgica, entre eles o presidente, Julián Eguren, foram destituídos da companhia em setembro.

Hoje, as decisões que envolvem a estratégia da companhia têm de ser aprovadas por consenso, conforme o acordo de acionistas da siderúrgica. A inclusão de uma cláusula para solucionar impasses chegou a ser colocada na mesa pela Nippon, mas a Ternium não quis discutir o tema. Fontes ligadas ao grupo ítalo-argentino afirmaram que esse tipo de discussão é "muito complexa". A Nippon não comenta.

Os desentendimentos entre os dois sócios vieram à tona depois da destituição dos executivos, indicados pela Ternium. A Nippon argumenta que eles receberam benefícios irregulares. A Ternium discorda e diz que o grupo japonês desrespeitou o acordo de acionistas. Na reunião do dia 24 de setembro, Paulo Penido, presidente do conselho da siderúrgica - que, segundo a Ternium, está alinhado com a Nippon - deu o voto de desempate que provocou a saída dos executivos.

Os executivos Eguren, ex-presidente da Usiminas, e os ex-diretores Marcelo Chara e Paolo Bassetti entraram no dia 17 com ação de indenização por danos morais contra Penido, sob a alegação de "buscar a reparação pelos graves danos morais infligidos às suas imagem e reputação profissional, abaladas pela ilegal conduta do executivo ao destituí-los dos cargos que ocupavam na companhia". O valor pedido na ação é de R$ 1 milhão.

Ação. Ao Estado, Paulo Penido informou que votou com "base em fatos e provas". O presidente do conselho de administração da Usiminas informou que ainda não foi citado no processo movido pelos três executivos. Ele contratou o escritório o Motta, Fernandes Rocha Advogados para sua defesa.

A Nippon não deverá dar apoio jurídico ao presidente do conselho, uma vez que a ação movida pelos executivos é contra Penido, não contra o grupo japonês.

Uma nova reunião entre os acionistas está marcada para os dias 12 e 25 de fevereiro. No dia 12, haverá uma teleconferência para discutir os resultados da companhia, que serão divulgados no dia 13. No dia 25, haverá uma reunião ordinária, na qual se poderá discutir o futuro da companhia. A Nippon, segundo fontes, tentará antes chegar a um consenso com a Techint.

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