Nissan aposta no elétrico 'popular'

Nissan aposta no elétrico 'popular'

Beneficiando-se de créditos concedidos nos EUA, o Leaf, carro elétrico da empresa japonesa, chegará ao mercado americano com preço de US$ 25 mil

Peter Whoriskey, O Estado de S.Paulo

31 de março de 2010 | 00h00

THE WASHINGTON POST

A montadora japonesa Nissan anunciou ontem que o seu Leaf, primeiro de uma série de modelos de carros elétricos atualmente em desenvolvimento nas maiores fabricantes de carros do mundo, será vendido por US$ 25 mil nos Estados Unidos, incluindo crédito fiscal federal. Esse valor é comparável ao praticado para os automóveis comuns, o que representa um teste significativo da lealdade dos consumidores em relação aos veículos de propulsão a gasolina.

Embora um número pequeno de carros elétricos já utilize as estradas americanas há alguns anos, o custo de produção desses modelos impediu que os fabricantes os disponibilizassem a um público mais amplo.

A relativa acessibilidade do preço anunciado surpreendeu alguns analistas da indústria. Funcionários da Nissan dizem que avanços nas pesquisas com baterias, somados a um crédito fiscal federal de US$ 7,5 mil para os carros movidos a eletricidade, permitiram que a empresa disponibilizasse os carros a esse preço.

"Agora, vamos descobrir qual será a reação dos consumidores", disse Mark Perry, diretor de planejamento de produtos e tecnologias avançadas da Nissan North America.

Durante a campanha presidencial, o então senador Barack Obama prometeu colocar um milhão de veículos elétricos nas ruas até 2015, e o cumprimento desta promessa depende em parte da aceitação do preço do Leaf ? ou do Volt, carro elétrico da General Motors ? por parte dos consumidores. Ambos os modelos devem chegar às lojas americanas ainda este ano.

Reação. Entre os fatores desconhecidos está a reação dos consumidores a um carro que precisa ser recarregado a cada 160 quilômetros rodados e que, para tornar-se realmente conveniente, requer um dispositivo de recarregamento instalado nos lares. De acordo com a empresa, o carregador de 220v custará cerca de US$ 2,2 mil, com instalação inclusa. Um crédito fiscal reduzirá este preço em 50%.

Outro possível ponto negativo é o fato de o preço, apesar de menor do que o que era esperado por muitos, ainda é alguns milhares de dólares mais caro do que aquele cobrado por carros convencionais do mesmo tamanho, como o Honda Civic e o Ford Focus.

Por outro lado, os motoristas evitarão as idas ao posto de gasolina, economizando tempo e dinheiro com as recargas em casa. De acordo com a Nissan, o custo da energia consumida pelo carro elétrico equivale a aproximadamente um sexto do preço da gasolina consumida por um carro convencional do mesmo tamanho, com base no preço de US$ 3 pelo galão de gasolina e de US$ 0,11 pelo quilowatt/hora.

"Nos primeiros anos, cada Leaf construído já terá dono antes mesmo de chegar à concessionária", disse Dan Davids, presidente do Plug In America, grupo que pressiona as fabricantes de automóveis a produzir carros elétricos.

Há uma imensa demanda acumulada pelos modelos elétricos. A Nissan, por exemplo, espera receber do consumidor americano 25 mil encomendas até dezembro, quando o carro deve se tornar disponível em alguns mercados, antes de ser comercializado em todo o país, em 2011.

A direção da empresa espera que a demanda aumente rapidamente e prevê que a adoção dos carros elétricos seja mais rápida do que a dos modelos híbridos.

A empresa disse ter recebido manifestações de interesse de 81 mil americanos antes mesmo do anúncio do preço. "Atualmente, a maioria dessas pessoas dirige modelos híbridos", disse Mark Perry. "Elas queriam uma solução sem nenhuma emissão de carbono, coisa que ainda não existia no mercado."

/ TRADUÇÃO DE AUGUSTO CALIL

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