Nissan quer dobrar capacidade de produção na China

Até 2012, montadora planeja elevar a produção anual de veículos no país para 1,2 milhão de unidades 

Reuters,

20 de setembro de 2010 | 09h26

A montadora japonesa Nissan planeja dobrar sua capacidade na China até 2012, se juntando a outras fabricantes de veículos que têm feito movimento para capturar uma fatia maior do principal mercado mundial de carros.

O novo plano da Nissan, que eleva a capacidade anual da empresa na China para 1,2 milhão de unidades, excede a meta anterior da companhia de ampliar em 20% sua produção naquele país.

A Nissan quer eventualmente capturar 10% do mercado chinês, contra participação atualmente de cerca de 6%, disse o presidente-executivo da companhia, o brasileiro Carlos Ghosn, em evento de lançamento da nova fábrica de utilitários na cidade de Zhengzhou.

"Entre as montadoras japonesas, a Nissan é a número um (na China)", disse Ghosn. "Mas ainda assim acreditamos que temos potencial de ganhar mais market share por meio de nossas parcerias na Dongfeng e Zhengzhou Nissan."

A General Motors , que opera joint-ventures com grandes grupos chineses como SAIC Motor e FAW Group, disse na semana passada que vê necessidade de continuar ampliando sua capacidade de produção na China.

A coreana Hyundai está construindo uma terceira fábrica da marca na China, aumentando capacidade no país em dois terços, para 1 milhão de unidades.

Veículos elétricos

A Nissan Motor está em conversações com a chinesa Dongfeng Group sobre a transferência de tecnologia de veículos elétricos, tais como a de bateria de íon lítio, para as operações conjuntas das duas empresas na China, disse o executivo-chefe da montadora japonesa, o brasileiro Carlos Ghosn.

Os comentários do executivo ocorrem em um momento no qual o governo central da China estuda um plano de 10 anos para carros elétricos, que pretende estabelecer regras e regulações sobre como as montadoras estrangeiras poderão transferir tecnologias importantes para a China, se elas optarem por fabricar e vender carros elétricos e híbridos plug-in (que combina um motor de combustão interna com um motor elétrico a bateria) no país.

O movimento elevou as preocupações entre os executivos das montadoras estrangeiras. O esboço do plano, que está sendo preparado pelo Ministério da Indústria e Tecnologia da Informação da China, sugere que o governo poderá forçar as montadoras estrangeiras, que querem produzir veículos elétricos na China, a partilharem suas principais tecnologias, obrigando-as a formar joint ventures com empresas chinesas e limitando suas participações acionárias, afirmaram alguns desses executivos.

Ainda assim, para a Nissan, "não há limite para a tecnologia que nós trazemos para China", afirmou Ghosn numa entrevista coletiva em Zhengzhou, capital da província de Henan. "O futuro dos carros elétricos é brilhante na China", destacou o executivo.

Ghosn não disse se as negociações estavam relacionadas ao novo plano do governo. Mas Kimiyasu Nakamura, um alto executivo da Nissan na China, afirmou que a montadora japonesa está esperando o governo chinês finalizar a política de 10 anos para o setor. As informações são da Dow Jones.

General Motors

Separadamente, o presidente-executivo da Nissan disse que não tem planos de comprar ações na planejada oferta pública inicial (IPO, em inglês) da GM.

Há especulações de que a GM estaria procurando por investidores estratégicos para seu IPO, depois da montadora norte-americana ter sido resgatada pelo governo dos Estados Unidos.

A SAIC, parceira chinesa da GM, tem sido mencionada como outra potencial investidora, mas poderia enfrentar dificuldades no campo político.

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