Nissan terá novo presidente no Brasil

Executivo comandará processo de abertura da nova fábrica do grupo no Rio de Janeiro

CLEIDE SILVA, O Estado de S.Paulo

01 de novembro de 2012 | 02h07

A Nissan do Brasil deve anunciar, até o fim do ano, o substituto de Christian Meunier, que terá como principal tarefa conduzir a abertura da fábrica que o grupo constrói em Resende (RJ), com inauguração prevista para início de 2014, e de manter a trajetória de crescimento da marca.

No comando da filial brasileira há dois anos e meio, o francês Meunier deixará o cargo em janeiro para assumir as operações do grupo no Canadá. Nesse período, a participação da Nissan no mercado brasileiro passou de 0,8% para 3,2%, com um crescimento de vendas de 23.141 unidades em 2009 para 84.613 neste ano.

Esse ritmo de crescimento deve diminuir, conforme admite o diretor-geral da Nissan, François Alain, em razão da falta de produtos da marca, especialmente o compacto March, que disputa mercado com populares nacionais como Gol e Palio.

Lançado em setembro de 2011, o March é produzido no México e, até recentemente, era trazido com isenção de Imposto de Importação, cuja alíquota é de 35%. Além desse modelo, a Nissan traz daquele país o Versa, o Tiida e o Sentra.

Os quatro modelos mexicanos respondem por 70% das vendas da marca. Outros três produtos, o Livina, o Grand Livina e a picape Frontier, são produzidos no Paraná, na fábrica conjunta que o grupo japonês tem com a francesa Renault.

Com o estabelecimento de cotas de importação determinadas pelo acordo automotivo entre Brasil e México, a Nissan rapidamente atingiu seu limite de 35 mil unidades, e, nos últimos dois meses, interrompeu as encomendas, só retomadas a partir deste mês, mas com o recolhimento da alíquota de importação.

March mais caro. Nas próximas duas semanas, o March volta às concessionárias, mas R$ 1,1 mil mais caro. Seu preço agora parte de R$ 26.060, ante R$ 24.990 anteriormente. Ainda assim, Alain informa que a empresa vai sacrificar margem de lucro. "Estamos num mundo competitivo mas, como nosso projeto no Brasil é de longo prazo, vamos ter de conviver com isso nos próximos 18 meses."

O prazo é o período previsto até a inauguração da fábrica fluminense, que iniciará operações com a produção do March. A capacidade da fábrica, que custará R$ 2,6 bilhões, será de 200 mil veículos ao ano. "Vamos iniciar com 80% dessa capacidade", prevê Alain.

De acordo com o executivo, a unidade encerrará 2013 com quatro modelos em produção. "Vamos lançar um novo produto a cada três meses", diz. Além do March, a fábrica fará o sedã Versa e o utilitário-esportivo Extrem - à mostra no Salão do Automóvel de São Paulo como conceito. O quarto modelo ainda está em estudos.

A partir de março de 2013, a Nissan terá direito a nova cota de 38 mil veículos e, em 2014, de 41 mil. Mas, com a nova fábrica, não estará mais tão dependente dos modelos mexicanos.

Ainda neste mês, o presidente mundial da Nissan/Renault, o brasileiro Carlos Ghosn, vem ao Brasil para falar dos planos da marca no País.

A empresa, a primeira a se habilitar no novo regime automotivo, também terá o direto de importar veículos sem o aumento de 30 pontos porcentuais do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). "Poderemos trazer 6,6 mil veículos ao mês sem o IPI maior", afirma Alain.

Com mais flexibilidade, a montadora também já anunciou que trará dos Estados Unidos, a partir do próximo ano, o Altima, sedã mais vendido pela marca no mercado americano.

Novo cargo. Além de anunciar a saída de Meunier, a Nissan informou ontem ter criado um novo cargo no País, o de vice-presidente de vendas e marketing, que será ocupado por Manuel de La Guardia, atual diretor-geral da Nissan Ibéria.

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