Lucio Tavora/Agência A Tarde
Lucio Tavora/Agência A Tarde

Nível da água em Sobradinho chega a 6%

Queda constante do segundo maior reservatório de água do País aumenta risco de o abastecimento do Nordeste ficar comprometido

André Borges, O Estado de S.Paulo

17 Outubro 2015 | 08h15

BRASÍLIA - Com apenas 6% de água armazenada, o reservatório de Sobradinho vive o risco de entrar em colapso e comprometer o abastecimento de água da região Nordeste. Dia após dia, piora a situação da represa, a segunda maior "caixa d'água" do País, localizada no Rio São Francisco, na Bahia.

Os dados do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) apontam que, mesmo após uma série de medidas para guardar água, a queda no volume da represa é diária e a situação tende a piorar nos próximos dias, por conta da escassez das chuvas. Na próxima semana, a expectativa é de que chova apenas 26% da média histórica da região Nordeste para esta época do ano. Com esse resultado, todos os reservatórios do Nordeste, que estão hoje com 11% de capacidade, devem cair para cerca de 8%.

O caos de Sobradinho já serviu para produzir uma pilha infindável de processos contra a Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf), estatal do Grupo Eletrobrás que opera oito hidrelétricas no São Francisco. Mais de 300 ações judiciais chegaram à empresa, apresentadas por pessoas e empresas que se sentiram prejudicadas pela constante redução da vazão do reservatório.

José Carlos de Miranda Farias, presidente da Chesf, diz que "a situação é preocupante e merece toda a atenção", mas afirma que a redução do volume de água liberado pelo reservatório de Sobradinho respeita um conjunto de decisões técnicas e determinações feitas pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). Além disso, segundo Miranda, a diminuição de vazão é o que ainda tem permitido o acesso à água na região.

"Hoje, estamos com uma vazão de 900 metros cúbicos por segundo. Se não existissem os reservatórios e a possibilidade de controle, a vazão natural na região de Sobradinho seria hoje de 300 metros cúbicos", diz Miranda. "Temos explicado para a população que essas são decisões necessárias para que não haja colapso. Se mantivéssemos as vazões normais, não haveria água hoje."

Três Marias. Duas semanas atrás, a Agência Nacional de Águas (ANA) alterou a vazão da usina de Três Marias, que é o reservatório de cabeceira do Rio São Francisco e que fica antes de Sobradinho. Segundo maior da bacia, Três Marias teve seu volume de água ampliado de 300 m³ para 500 m³ por segundo, para tentar garantir que Sobradinho chegue em condições mínimas de operação em novembro, quando começa o período chuvoso.

São grandes os riscos, porém, de que Sobradinho zere seu reservatório e atinja o "volume morto", como aconteceu com o Cantareira, em São Paulo. Essa possibilidade até já foi aventada, meses atrás, pela ANA.

A preocupação hoje não está relacionada a risco de falta de energia, dado que há um conjunto de usinas térmicas em operação na região, além de conexões com o sistema interligado nacional, que garante o acesso à energia. O problema é garantir água para a população.

Por meio de nota, a ANA informou que continua monitorando a bacia do São Francisco "com a atenção que a situação requer, tendo em vista que o início da estação chuvosa pode atrasar". Segundo a agência, está prevista para a última semana de outubro uma reunião com representantes de todos os setores usuários da bacia e representantes do poder público para avaliar a situação.

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