Nível de reservas do País é desnecessário, diz especialista

O Brasil pode desistir de tentar crescer às mesmas taxas de Índia ou de China se não estiver disposto a fazer "mudanças fundamentais" na economia do País. A avaliação é do ex-secretário de Tesouro dos Estados Unidos Larry Summers, que, em declarações ao Estado, deixou claro que sem medidas drásticas o Brasil não conseguirá elevar sua taxa de crescimento nos próximos anos.Summers ainda alertou para os "excessos" na manutenção de reservas externas em volumes considerados como desnecessários. "O Brasil enfrenta desafios importantes e de fato não consegue apresentar o mesmo ritmo de crescimento que outras economias emergentes. Se não houver um compromisso com reformas estruturais no País e mudanças fundamentais, não há como pensar em crescer nas mesmas proporções apresentados por outros países", afirmou. Summers foi secretário de Tesouro em Washington durante o governo do presidente Bill Clinton. Mais recentemente presidiu a Universidade de Harvard, em Cambridge, e hoje atua como professor da Charles Eliot University, também nos Estados Unidos.Segundo estimativas da ONU para 2007, o Brasil só conseguirá superar o México entre os países emergentes em termos de crescimento. A China, por exemplo, poderá ter um aumento do PIB três vezes superior ao do Brasil neste ano. Summers apontou ainda que a economia nacional estaria "ficando para trás" e que essa condição somente será superada quando houver uma aprovação de reformas macroeconômicas "profundas". "Esse é o caminho para crescer. Não vejo outra alternativa", disse.ReservasOutro fator ressaltado por Summers foi o nível de reservas externas mantidas pelo Banco Central. "Há um certo excesso no volume de reservas que poderiam ser usados de outra forma", disse o ex-secretário de Tesouro. Em sua avaliação, uma das opções seria a de investir parte dessas reservas no próprio País, o que teria um efeito positivo para o crescimento.No Brasil, as reservas externas fecharam 2006 em US$ 85 bilhões, volume superior em mais de US$ 10 bilhões à dívida do setor público não financeiro em moeda estrangeira. Nesse mesmo período, os investimentos de empresas estrangeiras no País foi de US$ 18 bilhões, contra mais de US$ 60 bilhões na China.O acúmulo excessivo de reservas é, segundo Summers, um fenômeno que vem sendo notado em vários países emergentes. Segundo ele, 2006 fechou com um nível de reservas recorde entre os países emergentes de mais de US$ 2 trilhões.Em palestra para economistas e banqueiros, Summers apontou que só a China teria um excesso de reservas calculado em US$ 800 bilhões, além de outros US$ 200 bilhões na Rússia diante de suas exportações de gás natural e petróleo. O México seria o país latino-americano com o maior excesso de reservas em seus cálculo e poderia gastar US$ 34 bilhões sem se preocupar em não conseguir pagar suas dívidas de curto prazo durante um ano sem esses recursos.Em alguns casos, na Líbia, as reservas já são 125% superiores ao próprio PIB do país. No total, as reservas já representam 20% do PIB de todas as economias emergentes. "Sempre é prudente construir uma proteção contra eventuais crises. A Ásia e outros países emergentes aprenderam isso nos anos 90. Mas os governos precisam pensar qual o limite na acumulação de reservas", concluiu.

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