Nível de reservatórios está em situação crítica no Sul

O nível médio dos reservatórios do Sul para produção de energia está em 28% da capacidade. A "situação crítica" é admitida pela engenheira do Centro de Operações do Sistema Copel, Christina Courtouke, mas, segundo ela, nos próximos dois meses não há ameaça de racionamento. "Nos últimos anos foram feitas obras de reforço na transmissão, o que permite maior intercâmbio com a região Sudeste", afirmou.Atualmente, cerca de 65% da energia consumida no Sul (5,2 mil megawatts diários) vêm do Sudeste. Outros 15% são de usinas térmicas a carvão e o restante é suprido por hidrelétricas locais. A estiagem, que em algumas regiões do Paraná vem desde o fim do ano passado, está criando cenas insólitas em várias localidades, com os leitos dos rios secos e cachoeiras reduzidas a filetes de água.Pelo levantamento da Superintendência de Desenvolvimento de Recursos Hídricos e Saneamento Ambiental (Suderhsa), o nível dos rios tem queda diária. A expectativa é que uma frente fria chegue entre quinta-feira e sexta-feira trazendo chuvas, conforme previsão do Sistema Meteorológico do Paraná.A Bacia do Rio Iguaçu é a que possui o maior número de hidrelétricas no Paraná. Hoje, o índice médio de armazenamento nas cinco represas é de 19% da capacidade. A de Salto Santiago, no município de Rio Bonito do Iguaçu, a 380 quilômetros de Curitiba, é a que enfrenta os maiores problemas. Está com apenas 11,6% da capacidade total.DificuldadesO Hotel e Restaurante Zanella, onde se hospedam pescadores, sentiu os efeitos da estiagem. "Faz tempo que não lota", disse um dos sócios, Valdecir Zanelatto. Segundo ele, o volume de peixe depende do dia. "Mas diminuiu bastante", acentuou. "Mas a gente sabe que, tão logo chova, vem gente."O rápido restabelecimento da vazão também é destacado pela engenheira da Copel. "Os rios da região Sul têm essa característica", disse Christina Coutourke.Os números divulgados pela Suderhsa mostram a situação grave do Iguaçu. Em União da Vitória, onde a vazão média é de 466,24 metros cúbicos por segundo, estava em 63,40 metros cúbicos. A prefeitura colocou maquinários para trabalhar no interior do município perfurando as nascentes para tentar juntar mais água e não prejudicar ainda mais a agricultura e a pecuária.Um pouco mais acima, em São Mateus do Sul, a vazão de 103,40 metros cúbicos por segundo está restrita a 22 metros cúbicos. Tanques também estão sendo perfurados para atender as necessidades da pecuária. Em algumas localidades, a água potável é levada em carros-pipa. Próximo à ponte sobre o Iguaçu, onde há uma estrutura de lazer e de pesca, não se vê mais ninguém nos fins de tarde. Uma cena que era corriqueira na cidade. Mas outros rios também sofrem. Em Lidianópolis, na região central, o Rio Ivaí, que tem vazão de 264,69 metros cúbicos por segundo, estava em 30,80 metros. O mesmo rio, em Rondon, no noroeste, baixou a vazão de 545 metros cúbicos por segundo para 120,20 metros.O Rio Tibagi, em Jataizinho, no norte do Estado, baixou de 399,54 para 50 metros cúbicos por segundo. A Hidrelétrica de Itaipu está produzindo energia normalmente, em razão de o reservatório ser formado pela Bacia do Rio Paraná, que não enfrenta problemas de estiagem. A Secretaria da Agricultura do Paraná deve divulgar na próxima semana um levantamento sobre os prejuízos agrícolas.

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