Nível dos reservatórios do SE está 48% abaixo da média

O volume de chuvas sobre os reservatórios das hidrelétricas do Sudeste atingiu, neste início de dezembro, o pior nível desde que o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) começou a divulgar a estatística, em 2001, ano do racionamento de energia. Segundo dados do ONS, a energia afluente na região Sudeste - nome técnico que indica a quantidade de água de chuvas que chega às barragens - está 48% abaixo da média histórica até o dia 10 de dezembro. No Nordeste, caso a seca persista, o ONS terá de acionar térmicas a óleo.O diretor-geral do ONS, Hermes Chipp, afasta o risco de racionamento, alegando que há previsão de chuvas para os próximos dias nas principais bacias hidrográficas do Sudeste. "A afluência de chuvas está baixa, mas as condições climáticas estão se favorecendo", afirma. Segundo ele, nos últimos dias já houve chuvas na bacia do Rio Grande, que contém alguns dos principais reservatórios do País, e sobre a usina de Emborcação. As primeiras chuvas, porém, foram absorvidas pelo solo seco.Chipp diz que a previsão é que novas chuvas caiam nos próximos seis dias. Desta vez, com o solo menos seco, a tendência é que as águas cheguem aos reservatórios das hidrelétricas. Segundo o ONS, o nível dos reservatórios do Sudeste está hoje em 48%, situação melhor do que a registrada em 2006, quando a média de novembro foi de 42,38%. No ano passado, porém, as chuvas das primeiras semanas de dezembro, acumuladas até o dia 10, estava a 103% da média histórica.A situação é pior na região Nordeste, onde os reservatórios estão a 27,1% de sua capacidade. O volume de água de chuvas que chegou aos reservatórios até o dia 10 representa 33% da média histórica. "Se a tendência de chuvas no período úmido no Nordeste não se confirmar, poderemos antecipar o uso de térmicas a óleo lá", informou Chipp. "Mas temos que nos preocupar mesmo é com a região Sudeste, onde estão 65% dos reservatórios brasileiros", ressalta o professor Nivalde de Castro, do Instituto de Economia da UFRJ.

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