Nível dos reservatórios mantém ritmo de queda

Volume de água disponível representa 44,5% da capacidade total das usinas no Sudeste/Centro-Oeste

Wellington Bahnemann, da Agência Estado, Agencia Estado

11 de janeiro de 2008 | 11h32

Os reservatórios das hidrelétricas do subsistema Sudeste/Centro-Oeste mantiveram o ritmo de queda de 0,1 ponto porcentual no nível de armazenamento, de acordo com o Informativo Preliminar Diário da Operação do dia de 10 de janeiro, divulgado nesta sexta-feira, 11, pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). Segundo o documento, o volume de água disponível nos reservatórios representava 44,5% da capacidade total das usinas das duas regiões.   Veja também:  Os níveis dos reservatórios  'Isso vai ser uma paulada na conta de energia do próximo ano'  'Não me venham com cortes de luz'A situação na Região Nordeste permaneceu estável na comparação entre o dia 9 e o dia 10 de janeiro. O nível dos reservatórios da região ficou em 27,1% da capacidade total. Já o volume de água disponível nas hidrelétricas da Região Sul continua diminuindo. Ontem, recuou 0,5 ponto porcentual, para 73,2%. No Norte, o nível de armazenamento manteve o ritmo de queda de 0,1 ponto porcentual, de 29,8% para 29,7% entre ontem e o dia anterior. No final da tarde de quinta-feira, o governo anunciou que, para poupar o nível dos reservatórios, seis térmicas movidas a óleo no Sudeste seriam acionadas. Somadas, essas usinas têm capacidade para gerar 800 megawatts (MW) de imediato. Em um segundo momento, após solucionar questões que envolvem o transporte do combustível, a geração de energia pelas térmicas a óleo do Sudeste pode chegar a 1.200 MW.  Hoje o consumo total de energia no País é de 53.381 MW.Além disso, segundo o ministro interino de Minas e Energia, Nelson Hubner, a partir da segunda semana de fevereiro será concluído o gasoduto Cabiúnas-Vitória, que transportará um volume adicional de 5,5 milhões de metros cúbicos diários de gás natural da Bacia do Espírito Santo. Com esse gás novo, já em fevereiro a térmica de Macaé (RJ) poderia acrescentar mais mil MW ao sistema.   Governo descarta racionamento Apesar dessas medidas emergenciais, o governo continua descartando um novo apagão. Hubner disse ainda que o governo não vê necessidade de fazer campanhas junto à população para incentivar a economia de energia porque, segundo ele, neste momento, todo o esforço está sendo feito no sentido de buscar alternativas de energia. Hubner descartou também reflexos ao consumidor, como aumento de tarifas, como decorrência do acionamento das térmicas.   Contudo, analistas já avaliam que a medida vai pesar no bolso do consumidor nos próximos reajustes tarifários. Isso porque a produção de energia nas térmicas é mais cara. Todo o custo das usinas a óleo diesel e combustível que entraram em operação nos últimos meses por determinação do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) será rateado entre todos os usuários do sistema, destaca o professor do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Adilson de Oliveira.Segundo ele, o custo de geração dessas usinas pode superar R$ 700 por megawatt/hora (MWh) produzido. "Pelo que estamos vendo essas térmicas terão de funcionar durante quase o ano inteiro para que o País não tenha um problema de racionamento. Se as chuvas não recuperarem os reservatórios, serão essas usinas que vão ajudar na geração de energia durante o período seco, que vai até o fim de outubro. Isso vai significar uma paulada na conta de energia do próximo ano."        

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