Nizan fecha compra da agência CDN

Negócio marca entrada do Grupo ABC na área de relações públicas; vice-líder no segmento, a CDN faturou R$ 88 milhões em 2012

FERNANDO SCHELLER , O Estado de S.Paulo

17 de agosto de 2013 | 02h05

O Grupo ABC, capitaneado por Nizan Guanaes, fechou ontem a compra da agência de relações públicas CDN. A empresa marca a entrada do grupo, que já tinha empresas nas áreas de publicidade e promoção de eventos, no segmento de RP. O valor do negócio não foi revelado.

Segundo o Anuário Brasileiro da Comunicação Corporativa, a CDN faturou R$ 88 milhões no ano passado. Pelo porte da agência de relações públicas, que hoje atende mais de 100 clientes e tem 400 funcionários, trata-se de uma das maiores aquisições já feitas pela holding. Isso porque a receita da CDN, sozinha, representa cerca de 10% do faturamento do Grupo ABC, que foi de cerca de R$ 800 milhões no ano passado. O contrato deve ser assinado no início de setembro.

O Estado apurou que os sócios da CDN foram sondados por grupos internacionais como Publicis, Omnicom, Edelman, mas preferiram fechar negócio com um grupo nacional, por considerarem que é mais fácil fazer a integração.

O Grupo ABC busca vetores para ganhar mercado dentro do setor de comunicação desde que recebeu um aporte de R$ 170 milhões do fundo Kinea, do Itaú, em abril deste ano. Hoje, o grupo, que inclui duas das maiores agências de publicidade do País - a África e a DM9DDB -, tem 15 negócios no portfólio.

A intenção da holding, segundo fontes, é ampliar sua atuação na área de RP. Outras agências também estariam no radar do Grupo ABC.

A CDN é vice-líder no ranking das agências brasileiras de comunicação corporativa. O primeiro lugar é da FSB, que faturou R$ 145 milhões em 2012, segundo anuário do setor.

Entre os mais de 100 clientes da CDN estão Santander, Nestlé, L'Oréal e Odebrecht. A agência também atende o governo do Estado de São Paulo, os ministérios da Saúde e da Justiça e o Governo do Estado de Minas Gerais, com o qual teria um contrato anual de R$ 2,2 milhões.

O grupo ABC e a CDN chegaram a conversar cerca de dois anos atrás, mas, na ocasião, as negociações não progrediram. Pelo acerto, os atuais sócios da CDN continuam na empresa pelos próximos cinco anos.

A companhia de Nizan Guanaes é hoje o 18.º maior conglomerado de comunicação do mundo. Com a entrada da Kinea - que comprou 20% do grupo -, a empresa ganhou caixa para novas aquisições. A empresa tem fortalecido sua expansão no mercado desde 2011, quando comprou a agência Morya.

A associação com o Kinea foi uma tacada de Nizan para evitar uma sociedade com grupos internacionais ( ele chegou a ser procurado pelo WPP). O publicitário quer vender o ABC como um grupo brasileiro com relevância internacional. / COLABOROU DAVID FRIEDLANDER

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