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Preço dos combustíveis nas refinarias terá queda de 2%. Nilton Fukuda/Estadão

No 1º reajuste com Silva e Luna na estatal, Petrobrás anuncia queda de 2% na gasolina e no diesel

Redução é válida para os preços nas refinarias da companhia a partir de sábado e foi anunciada no mesmo dia do fim da isenção do PIS/Cofins sobre o diesel

Denise Luna, O Estado de S.Paulo

30 de abril de 2021 | 11h20

RIO - A Petrobrás anunciou nesta sexta-feira, 30, a redução de cerca de 2% nos preços da gasolina e do diesel nas suas refinarias, com queda de R$ 0,0529 e R$ 0,0556 por litro, respectivamente, informou a Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom)

O reajuste, válido a partir de sábado, 1.º, acontece no mesmo dia do fim da isenção do PIS/Cofins do diesel e em meio a grande volatilidade dos preços do petróleo no mercado internacional. É a primeira alteração nos preços dos combustíveis desde que o general do Exército Joaquim Silva e Luna tomou posse na presidência da Petrobrás, no lugar de Roberto Castello Branco, no último dia 19.

Indicado pelo presidente Jair Bolsonaro, o militar entra na empresa com o desafio de conduzir a política de preços dos combustíveis, motivo do desentendimento entre o ex-presidente da estatal e Bolsonaro. A companhia reajusta os preços dos combustíveis em suas refinarias seguindo a variação da cotação internacional do petróleo.

Até quinta-feira, 29, a commodity ensaiava uma trajetória de alta, cotada a mais de US$ 66 por barril, mas passou a registrar perdas nesta sexta-feira, para US$ 63,53, com preocupações sobre a evolução de casos de covid-19 na Índia e no Brasil.

De acordo com o consultor da StoneX, Thadeu da Silva, o consumidor final de diesel não sentirá o efeito da queda, mas ela vai abater parte da volta dos impostos federais. "Agora a grande questão para o consumidor final é a paulada de R$ 0,35 por litro com a volta do PIS/Cofins, amanhã. Mas absorve um pouco da alta", disse Silva.

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Petrobrás indica que preço de combustíveis deve continuar seguindo cotação internacional do petróleo

Empresa comparou seus produtos à soja e ao arroz, cujos preços também variam conforme o mercado externo; nesta sexta, companhia anunciou primeiro reajuste da gestão de Silva e Luna

Fernanda Nunes e Denise Luna, O Estado de S.Paulo

30 de abril de 2021 | 19h44

A Petrobrás sinalizou nesta sexta-feira, 30, as premissas que vão nortear sua política de preços de combustíveis daqui para frente, na gestão do general Joaquim Silva e Luna. No comunicado em que anunciou que a gasolina e o óleo diesel vão ficar 2% mais baratos a partir de sábado, 1.º, a empresa comparou seus produtos à soja e ao arroz, outras duas commodities, cujos preços internos variam alinhados ao mercado internacional. Com isso, demonstrou que vai continuar reajustando os combustíveis à medida que a cotação do petróleo e o câmbio subirem.

Esse foi o primeiro reajuste sob o comando de Silva e Luna, que assumiu a presidência da empresa no último dia 19. O diesel ficou R$ 0,06 mais barato e a gasolina, R$ 0,05, nas refinarias.

O argumento de que os combustíveis são commodities foi acrescentado ao tradicional texto de anúncio de reajustes divulgado pela empresa. Durante a administração de Roberto Castello Branco, antecessor do general, o argumento apresentado pela Petrobrás era outro, de que a cotação internacional do petróleo e o câmbio deveriam lastrear os preços internos para garantir o equilíbrio do setor e o abastecimento de combustíveis nas diferentes regiões do País.

No início deste ano, a petrolífera acelerou os reajustes para acompanhar o mercado externo, o que culminou na demissão de Castello Branco, no dia 19 de fevereiro.

Após sucessivos aumentos do diesel, o presidente Jair Bolsonaro iniciou uma série de ataques públicos a Castello Branco, demitido pelas redes sociais. O executivo ainda permaneceu no cargo por quase um mês, até que o seu substituto chegasse e, no meio do caminho, promoveu novos aumentos.

Ao anunciar que a gasolina e o diesel vão ficar mais baratos, Silva e Luna agradou à categoria dos caminhoneiros, base eleitoral de Bolsonaro e pivô da discórdia com Castello Branco. Ao mesmo tempo, demonstrou que vai manter a Política de Paridade de Importação (PPI), do seu antecessor. Apenas mudou o tom do discurso, ao equiparar a Petrobrás ao setor agrícola brasileiro, um caso de sucesso na economia brasileira, mesmo na crise.

"Importante ressaltar que outras commodities comercializadas no mercado brasileiro também têm seus preços associados à variação do mercado internacional e da taxa de câmbio. Por exemplo, segundo indicadores do Cepea/Esalq, desde 31/12/2019 o preço do arroz variou +80,4%, e o preço da soja, +108,4%", afirmou a Petrobrás no anúncio desta sexta, acrescentando que, no período, o diesel e a gasolina subiram menos do que os dois produtos agrícolas: 16,1% e 34,8%, respectivamente.

Professor do Grupo de Economia da Energia (GEE), da UFRJ, Helder Queiroz, diz que a revisão de preços anunciada nesta sexta não era esperada, porque a cotação do petróleo no mercado internacional permanece elevada. "Mas temos que aguardar um pouco mais para compreender os movimentos da nova gestão da Petrobrás", afirmou.

Segundo Thadeu Silva, da consultoria StoneX, desde o último dia 15, quando a Petrobrás revisou seus preços pela última vez, o barril do petróleo ficou 1,9% mais caro. Em contrapartida, o dólar desvalorizou 5,5% frente ao real. Em sua avaliação, ainda há espaço para a empresa anunciar novas quedas do diesel.

A avaliação do coordenador do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep), Rodrigo Leão, é que, os perfis dos mercados de soja e petróleo são diferentes e, portanto, não podem ser comparados. Isso porque, ao contrário dos produtos da Petrobrás, a maior parte da soja brasileira (cerca de 75%) é exportada.

"As cotações da soja no mercado internacional são o principal referencial de preço para os países que importam essa commodity. Por isso, o preço interno acaba sendo fortemente influenciado pelas oscilações internacionais. O Brasil exporta apenas 16% dos seus derivados de petróleo e, além disso, mais de 90% da matéria-prima do derivado é produzida internamente. Por conta desses dois aspectos, a influência dos preços internacionais pode ser menos significativa", diz.

O argumento de que o petróleo e os seus derivados são commodities e que, portanto, devem seguir o mercado internacional, surgiu na gestão de Pedro Parente. Primeiro presidente da Petrobrás do governo de Michel Temer, o executivo, em diversas ocasiões, utilizou o exemplo do pão, produzido a partir do trigo, também negociado no mercado internacional, para defender que a população já é fortemente afetada por altas de commodities.

Com esse argumento, Parente instituiu o PPI na Petrobrás. A defesa desse modelo lhe custou, no entanto, o cargo em junho de 2018, durante a greve histórica dos caminhoneiros, que parou o País em protesto aos preços do diesel.

Na última quarta-feira, 28, lideranças sindicais dos caminhoneiros pressionaram mais uma vez pelo fim do PPI. Em reunião com gerentes da empresa, mandaram o recado a Silva e Luna de que não se satisfazem apenas com as isenções tributárias concedidas pelo governo para conter altas do combustível e pedem mudanças na política de preços.

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