Tiago Queiroz/Estadão
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No ano da tragédia de Brumadinho, Vale tem prejuízo de US$ 1,7 bilhão

Segundo a mineradora, o resultado anual negativo se deveu principalmente a provisões e despesas relativas a ruptura da barragem em Minas Gerais; empresa perdeu título de maior produtora de minério

Mariana Durão e Fernanda Guimarães, O Estado de S.Paulo

20 de fevereiro de 2020 | 20h27
Atualizado 20 de fevereiro de 2020 | 21h53

SÃO PAULO e RIO – No ano marcado pela tragédia com sua barragem em Brumadinho, Minas Gerais, que deixou 270 mortos na cidade de Minas Gerais e um rastro de destruição ambiental, a mineradora brasileira Vale voltou para o vermelho com prejuízo de US$ 1,68 bilhão em 2019, revertendo lucro de US$ 6,86 bilhões de 2018. Como parte da produção no País teve de ficar paralisada na esteira de Brumadinho, a companhia perdeu o posto de maior produtora de minério de ferro para a rival Rio Tinto após ver sua produção encolher em 21,5% em 2019.

 No quarto trimestre do ano passado, o prejuízo da mineradora foi de US$ 1,56 bilhão, ante lucro de US$ 3,79 bilhões em igual período de 2018. Apesar de os efeitos de Brumadinho no balanço da mineradora já serem esperados, o resultado veio abaixo das projeções. 

A mineradora afirmou que o balanço anual negativo se deveu principalmente a despesas relativas à ruptura da barragem de Brumadinho, além de baixas com ativos de metais básicos e carvão. Os gastos incluíram o fechamento de barragens e acordos de reparação às centenas de vítimas, que resultaram em custos de US$ 7,4 bilhões. 

A tragédia ambiental, que ocorreu apesar de a companhia ter afirmado anteriormente que considerava a barragem de Brumadinho segura, resultou na saída de vários executivos da empresa, inclusive o presidente Fabio Schvartsman, que foi substituído por Eduardo Bartolomeo.

A Justiça de Minas Gerais acatou, na última sexta-feira, a denúncia do Ministério Público contra 11 executivos da Vale, inclusive Schvartsman, e cinco funcionários da empresa de consultoria Tüv Süd por homicídio doloso duplamente qualificado e crimes ambientais causados pelo rompimento da barragem da companhia em Brumadinho, em 25 de janeiro de 2019.

Passado um ano da tragédia, a Vale ainda tem o desafio de recuperar sua produção. Após Brumadinho, a Vale teve uma série de operações paralisadas por ordens da Justiça ou da Agência Nacional de Mineração (ANM). Na semana passada, a companhia reforçou a estimativa de produção entre 340 milhões de toneladas e 355 milhões de toneladas para 2020.

Para retomar cerca de 40 milhões de toneladas – 15 milhões em 2020 e 25 milhões em 2021 – de produção de minério nas operações de Timbopeba, Fábrica e Complexo Vargem Grande, a Vale precisa do aval das autoridades. A expectativa é receber o sinal verde para Timbopeba ainda no primeiro trimestre.

Para o analista Pedro Galdi, da Mirae Asset, o resultado frustra os investidores, mas a Vale segue com boa estrutura de capital, dívida líquida menor – de US$ 4,9 bilhões, queda de 50% em um ano – e geração de caixa equilibrada. “Nossa visão segue positiva para 2020 (...). A retomada de dividendos (aos acionistas) deve entrar no radar agora”, disse Galdi.

O balanço da Vale foi afetado também por baixas contábeis de US$ 4,2 bilhões referentes à produção de carvão e às operações de níquel na Nova Caledônia. O montante é bem superior à perda de US$ 1 bilhão originalmente projetada pela empresa.

Investimentos. O comunicado divulgado ontem pela gigante brasileira mostra ainda que em 2019 a Vale investiu US$ 3,7 bilhões, um recuo de 2,1% em relação ao ano anterior. Isso apesar dos possíveis impactos do coronavírus sobre a economia chinesa e das fortes chuvas em Minas Gerais, que causaram uma perda de aproximadamente 1 milhão de toneladas de produção em janeiro e fevereiro.   O montante ficou abaixo do programado pela companhia no fim de 2018 (US$ 4,4 bilhões). ​/ COM REUTERS

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