No BNDES, o governo cumpre aperto prometido

A demanda de crédito caiu, ajudando o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) a cumprir a determinação do governo de cortar empréstimos a taxas subsidiadas. Entre os primeiros trimestres de 2014 e de 2015, não só as consultas – etapa inicial para tomar dinheiro no banco – caíram 47% (para R$ 25 bilhões), mas os desembolsos cederam 24%, para R$ 33 bilhões.

O Estado de S. Paulo

20 Maio 2015 | 03h00

No primeiro mandato de Dilma Rousseff, o BNDES desembolsou R$ 674 bilhões em créditos e transformou-se no principal instrumento de apoio às empresas escolhidas pelo governo, inclusive a Petrobrás.

No segundo mandato de Lula, os desembolsos foram de R$ 463 bilhões, incluído o biênio 2009/2010, quando o banco liberou R$ 305 bilhões para ajudar as empresas brasileiras a enfrentar a crise global. Deu certo. O problema é que a política não só foi mantida, mas ampliada.

Uma das primeiras determinações do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, foi reduzir o crédito subsidiado, evitando a obrigação do Tesouro de compensar o banco por emprestar a juros menores. Em geral, o custo do BNDES era a TJLP, de 5% ao ano, em 2013 e 2014, e de 6% ao ano, a partir de abril. O corte alcançou as linhas do Programa de Sustentação de Investimentos (PSI). Nos últimos 12 meses, os desembolsos caíram 10%, atingindo R$ 177,4 bilhões. Além das quedas de consultas e desembolsos, diminuíram os enquadramentos (-36%) e as aprovações (-46%), que são as etapas intermediárias das operações.

Os cortes de desembolso foram generalizados, mas mais intensos para as atividades de comércio e serviços (-34%) e infraestrutura (-25%). Na indústria, a redução foi de 17% e na agropecuária, de 13%. Dos empréstimos, dois terços se destinam à infraestrutura e indústria. Os maiores cortes ocorreram no transporte rodoviário, química e petroquímica, celulose e papel e alimento e bebida.

O BNDES é o principal financiador de investimentos. O recuo das operações reflete, portanto, não só a decisão do governo de reduzir a oferta de crédito subsidiado, mas a menor disposição das empresas de investir, mesmo com juros módicos. É um mau sinal, pois dificultará a retomada do ritmo da atividade econômica no futuro.

Já o ajuste do BNDES é essencial, pois nos últimos anos o Tesouro entregou ao banco, a valor presente, R$ 500 bilhões em papéis, dos quais R$ 60 bilhões em 2014. Essa prática tem alto custo fiscal.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.