Rafael Arbex/Estadão
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No Brasil, vendas devem crescer 20% e superar R$ 2,5 bilhões

Parte do aquecimento das vendas é atribuída à transferência dos clientes que compravam marcas estrangeiras no exterior

O Estado de S. Paulo

17 de outubro de 2015 | 18h15

Enquanto os outlets americanos amargam a perda de clientes brasileiros, os shoppings de desconto nacionais relatam aumento das vendas neste ano. A estimativa é vender 20% mais em 2015 e superar a receita de R$ 2,5 bilhões, segundo a Agência Brasileira de Outlets (About), consultoria do setor. 

No Catarina Outlet, em São Roque (SP), as vendas cresceram 20,8% no segundo trimestre em relação aos três meses anteriores, somando R$ 71,8 milhões. A JHSF, dona do empreendimento, diz que os números estão 50% acima das projeções. “O setor de outlets cresce na crise. O brasileiro não quer abrir mão das marcas que gosta, mas busca preços melhores”, disse Christian da Cunha, diretor-presidente da unidade de shoppings da JHSF.

O outlet ainda é um formato novo no varejo brasileiro. O shopping mais antigo, o Outlet Premium, em Itupeva (SP), foi inaugurado em 2009. Naquele ano, recebeu 3 milhões de visitantes, número que saltou para 5,5 milhões em 2014 e deve chegar a 6 milhões em 2015, segundo Alexandre Dias, presidente da General Shopping, que administra 16 shoppings (3 outlets), entre eles o Outlet Premium.

A empresa não abre dados financeiros por unidade, mas Dias afirma que as vendas nos outlets seguem crescendo, enquanto o consumo esfriou nos shopping centers. Ao todo, existem oito outlets em operação no Brasil. Os donos dos outlets atribuem parte do aquecimento das vendas a uma migração dos clientes que faziam compras no exterior para as lojas no Brasil. “Não vale mais a pena viajar para fazer compras com o dólar a R$ 4. Um tênis da Nike de US$ 190 sai por R$ 800. O mesmo modelo está R$ 350 no Brasil. E dá para parcelar”, disse Dias. 

Essa percepção se reflete em números. A JHSF diz que as marcas estrangeiras vendem 35% mais este ano nos seus shoppings - a empresa também é dona do Cidade Jardim. “A TAM era o nosso maior concorrente”, diz Cunha.

Em parte, os preços mais competitivos das lojas brasileiras se devem à manutenção de um estoque adquirido com o dólar mais baixo. A Adidas, por exemplo, que tem 15 lojas no Brasil, estima que o prazo entre fabricar e vender um produto pode chegar a um ano. Logo, alguns dos produtos importados que estão nas prateleiras foram comprados com o dólar de um ano atrás, de R$ 2,48, 35% abaixo da cotação atual. Com a reposição dos estoques, o preço tende a subir no País.

Com o bom desempenho dos shoppings nesse formato, novos empreendimentos devem ser lançados. Até 2016, seis outlets devem abrir as portas, segundo estimativas da About. O primeiro será inaugurado na quinta-feira no Rio, pela General Shopping. O número poderá ser ainda maior. Três donos de projetos de shoppings contrataram a consultoria About para avaliar se podem converter os projetos em outlets. / MARINA GAZZONI E CAIO SPECHOTO, ESPECIAL PARA O ESTADO

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