No Brasil, Caterpillar prevê mais demissões

Empresa, com 4,6 mil empregados, já demitiu 380 em dezembro

Cleide Silva e Ana Paula Lacerda, O Estadao de S.Paulo

27 de janeiro de 2009 | 00h00

O corte de 20 mil funcionários da multinacional Caterpillar, anunciado ontem pela matriz nos Estados Unidos, deve envolver a filial brasileira. A empresa informou já ter demitido 380 trabalhadores em dezembro e não descarta novos cortes na unidade de Piracicaba (SP), única do grupo na América do Sul. A companhia é uma das maiores no País no segmento de máquinas rodoviárias e equipamentos pesados para construção civil, mineração e agricultura. TV Estadão: Paulo Skaf fala sobre demissões Confira o monitor da crise no BrasilHoje com 4,6 mil funcionários, a Caterpillar Brasil negocia com o Sindicato dos Metalúrgicos de Piracicaba a redução dos salários e da jornada de trabalho em um ou dois dias por semana. Também analisa a suspensão temporária de alguns contratos de trabalho, sistema conhecido como lay-off.O programa consiste na dispensa dos funcionários por até cinco meses. Nesse período, eles recebem parte dos salários da empresa, parte do seguro-desemprego e outra parte é bancada pelo Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) em forma de programa de qualificação.A Caterpillar também concedeu férias coletivas aos funcionários no período de 5 a 16 de janeiro e já comunicou ao sindicato que dará mais dez dias em fevereiro e dez dias em março. "Mesmo com essas medidas, não estão descartados ajustes adicionais na mão de obra", informou ontem uma porta-voz do grupo no País.A Philips, que vai cortar 6 mil postos de trabalho em suas unidades mundiais, suspendeu, no início deste mês, os contratos de 460 funcionários da fábrica de Manaus (AM) até abril. O grupo emprega 1,7 mil pessoas na Zona Franca e disse, por meio de sua Assessoria de Imprensa, não ter informação se as demissões anunciadas ontem na Holanda vão atingir a filial brasileira.A atual crise econômica deve produzir 20 milhões de novos desempregados no mundo até o fim do ano, segundo cálculos da Organização Internacional do Trabalho (OIT). Desde outubro a entidade já previa demissões em massa em todos os países e setores.De acordo com a OIT, somente as empresas multinacionais já foram responsáveis por mais de 600 mil demissões nos últimos seis meses.

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