''No Brasil, ninguém põe a mão''

Operação do Citi no País não será alterada, diz Marin

Marianna Aragão, O Estadao de S.Paulo

28 de fevereiro de 2009 | 00h00

A operação brasileira do Citibank ficará "melhor do que nunca" após o acordo anunciado ontem com o governo americano para estatização parcial do banco. A expectativa é do presidente do Citi no Brasil, Gustavo Marin, que garante que o futuro da instituição não será alterado com a ampliação da participação dos Estados Unidos no seu controle acionário. "Com essa medida, o Citi não tem mais problemas de capital e poderá aproveitar as oportunidades que o mercado brasileiro oferece. Ninguém põe a mão na operação brasileira", disse o executivo ao Estado.A possibilidade de o Citigroup se desfazer do mexicano Banamex, uma de suas operações mundiais mais lucrativas, também está descartada, segundo Marin. Nesta semana, o presidente do Itaú Unibanco, Roberto Setúbal, confirmou que tem interesse na instituição, que poderia ter de ser posta à venda por causa de uma restrição na lei mexicana, que limitaria a participação de estrangeiros em bancos nacionais. Marin negou a hipótese."Isso é conversa fiada. A operação no México está totalmente de acordo com o marco regulatório daquele país", afirmou o presidente. O Banamex, segundo maior banco mexicano, respondeu por cerca de metade do lucro total de US$ 3,6 bilhões obtido pelo Citigroup em 2007. A instituição foi comprada em 2001 por US$ 12,5 bilhões. No mercado, estima-se que poderia ser vendida por US$ 9 bilhões. Procurado pela reportagem, o Itaú Unibanco informou, por meio de assessoria de imprensa, que não existem negociações para a compra da instituição no México.Ainda segundo Marin, o Brasil continua no topo das prioridades da matriz. "A operação brasileira é altamente rentável para o Citi e vai ser reforçada com a entrada de capital (do governo americano)." De acordo com ele, apesar da participação de 36% das ações, o governo dos Estados Unidos não vai influir na estratégia de negócios da instituição. Também não irá designar diretores. "A estratégia será a traçada pelo presidente (mundial) Vikram Pandit", afirmou.Especialistas, porém, apontam como alta a probabilidade de venda das operações do Citi no País. Os rumores sobre o destino do banco no Brasil ganharam força com o anúncio, na quinta-feira, da venda de sua participação de 17% na processadora de cartões Redecard.Para o diretor-presidente da EFC Engenheiros Financeiros & Consultores, Carlos Daniel Coradi, com a estatização parcial do banco, deve ocorrer uma revisão da estratégia mundial de negócios. "Não me surpreenderia se o Citi vendesse algumas operações e voltasse o foco para os EUA." Segundo Coradi, a filial nacional é vulnerável porque não possui uma estratégia certeira. "Eles estão dormentes no País", conclui.

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