No Brasil, setor está mais endividado

Segundo estudo do Itaú BBA, apenas na safra 2011/2012, encerrada em março, dívida das usinas cresceu R$ 5 bilhões

EDUARDO MAGOSSI , VENILSON FERREIRA, O Estado de S.Paulo

19 de agosto de 2012 | 03h12

O setor sucroalcooleiro terminou a safra 2011/12 mais endividado e alavancado do que em períodos anteriores, de acordo com estudo divulgado pelo Itaú BBA em reunião da Câmara Setorial de Açúcar e Etanol do Ministério da Agricultura, realizada em Brasília. A dívida líquida do setor atingiu R$ 48 bilhões diante do aumento de custo de produção, em função da quebra da safra de cana-de-açúcar, falta de competitividade do etanol e maiores investimentos na recuperação de canaviais e mecanização. Apenas na safra 2011/12, que terminou em março, a dívida cresceu R$ 5 bilhões.

Segundo o documento, 18% dos grupos analisados do Centro-Sul precisam passar por um processo de fusão e aquisição para sobreviver. O estudo, apresentado pelo diretor comercial de açúcar e etanol do Itaú BBA, Alexandre Figliolino, mostra que a safra 2011/12 terminou com o setor apresentando uma dívida líquida de R$ 105 por tonelada de cana-de-açúcar, valor mais elevado que os R$ 86,8 registrados na safra 2008/09, momento de eclosão da crise financeira mundial e retração da oferta de recursos.

"O aumento da dívida foi provocado pela quebra expressiva de cana, o que deixou uma capacidade ociosa de mais de 100 milhões de toneladas no setor", disse Figliolino. Ele ressalta também os efeitos nocivos que a manutenção do preço estável da gasolina teve no setor, com a perda da competitividade do etanol. "Hoje, é o açúcar que está carregando e pagando as contas do setor, já que o governo insiste na manutenção dos preços da gasolina praticamente congelados."

Os dados do estudo foram obtidos através de análise do balanço financeiro de grupos produtores. Juntos, os grupos estudados possuem uma capacidade de moagem de 474 milhões de toneladas, mas processaram efetivamente apenas 350 milhões de toneladas. Sem cana para moer, o custo de caixa das empresas aumentou, passando de 14,5 cents para 18,4 cents de dólar por libra-peso.

A alavancagem do setor também subiu, de 2,7 vezes a dívida líquida sobre o Ebitda para 2,9 vezes nos grupos estudados. No período, o setor investiu R$ 14,45 bilhões em renovação de canavial e mecanização. Porém, os investimentos feitos somente trarão resultados em dois anos, quando o novo canavial estiver pronto para a colheita.

Segundo o documento, dos grupos analisados, apenas 12 possuem acesso pleno a capital. Esses grupos são responsáveis pela moagem de 232 milhões de toneladas, 36% da moagem do Centro-Sul. Outros 30 grupos, responsáveis pela moagem de 185 milhões de toneladas de cana, estão com excelente capacidade operacional e endividamento adequado e representam 29% da safra do Centro-Sul.

Os grupos em recuperação, com elevada alavancagem, somam 26, e possuem uma capacidade de moagem de 104 milhões de toneladas, 16% da safra do Centro-Sul. Por fim, 18% da moagem do Centro-Sul não sobreviverão sem uma fusão.

No estudo, Figliolino também analisa a concentração por que passa o setor. Se em 2005/2006 os dez principais grupos processavam 30% da cana existente, hoje eles representam 43% da capacidade de processamento.

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