No carro, tecnologia fica mais simples

Para dar conectividade ao automóvel, indústria busca equilíbrio entre facilidade e segurança

BILL VLASIC / DETROIT , THE NEW YORK TIMES, O Estado de S.Paulo

13 de julho de 2013 | 02h07

Os engenheiros que trabalham no novo veículo utilitário-esportivo de luxo Acura MDX, da Honda, estavam obcecados pela ideia de oferecer um espaço muito maior no banco traseiro, maior economia de combustível para um motor de alta tecnologia e, acima de tudo, mais aplicativos, mapas e conectividade. Mas há um elemento que os engenheiros decidiram eliminar: os botões.

No esforço de simplificar o novo veículo, lançado em junho, a equipe de produtos estava determinada a deixar o painel mais simples. Trata-se de uma mudança que indica o desafio com que as indústrias do setor se defrontam na era do carro conectado: as fabricantes de automóveis precisam dar aos clientes a tecnologia que eles desejam sem colocar em risco a segurança, enchendo os motoristas de controles complicados.

"Estamos procurando dar aos nossos clientes o que eles querem de uma forma que seja segura e tenha sentido", disse Steven Feit, um engenheiro da Honda que trabalha no projeto. "É este tipo de equilíbrio que queremos alcançar."

A evolução do automóvel está repleta de marcos históricos, desde o advento de características hoje comuns, como ar condicionado e cintos de segurança, aos novos motores híbridos, movidos a gasolina e a eletricidade. O carro se tornou um computador móvel recheado de novas opções de entretenimento, acesso à internet e a uma variedade de aplicativos que ajudam motoristas a evitar engarrafamentos e encontrar vagas para estacionar.

As autoridades fazem o possível para acompanhar a rápida evolução. A Agência Nacional de Segurança do Trânsito em Rodovias dos EUA, que supervisiona a segurança dos veículos, emitiu recentemente diretrizes voluntárias para as fabricantes com a finalidade de limitar as distrações visuais e mentais que a tecnologia pode criar.

A indústria está muito consciente deste problema. "Nós compreendemos sua importância", afirmou Gloria Bergquist, vice-presidente de assuntos públicos da Associação das Fabricantes de Automóveis. "Não podemos impedir que os consumidores queiram determinadas coisas para os seus carros, portanto, precisamos tornar a tecnologia menos perigosa."

Anteriormente, sofisticados recursos eram utilizados exclusivamente pelas fabricantes de veículos de luxo, como BMW e Mercedes-Benz. Mas agora a conectividade básica - como conectar um celular ao sistema de som do carro - é encontrada em alguns modelos comuns.

Por outro lado, as fabricantes aprenderam algumas lições ao insistir em uma tecnologia nova e não suficientemente testada. A Ford Motor, por exemplo, teve de revisar seu popular sistema Sync de navegação e entretenimento para reduzir distrações e facilitar o uso.

Cada nova versão de um carro é uma oportunidade para corrigir erros anteriores. O novo MDX, segundo a Honda, é um esforço para criar "sinergia entre o homem e a máquina".

A eliminação dos botões físicos no painel do carro foi crucial para melhorar a segurança. O seu excesso criava um número também excessivo de decisões para o motorista. O novo modelo os limita a funções importantes, como o controle de temperatura.

O objetivo é permitir que o motorista utilize apenas os controles de sua preferência. Uma segunda tela destina-se à navegação e o sistema pode ser controlado por comandos de voz.

"Os clientes querem fazer outras coisas enquanto dirigem", diz Feit. "Eles estão acostumados aos eletrônicos, como telefones e tablets, para atender às suas necessidades." / TRADUÇÃO ANNA CAPOVILLA

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