No centro de SP, clientes trocam a 'maçã' pela 'laranja'

"Galaxy Tab 2? Tenho. Está aqui, olha." A atendente de uma loja de eletrônicos na Rua Santa Ifigênia, no centro de São Paulo, mostra à reportagem o tablet de 7 polegadas da Samsung, a R$ 240. "Mas é réplica", explica.

O Estado de S.Paulo

23 de dezembro de 2012 | 02h06

A mulher garante que o aparelho funciona e é dos que menos recebem reclamações. "Teve uma cliente que comprou cinco. Depois de uns dias, ela voltou e comprou dez."

Na aparência, o tablet se passa pelo original. A plataforma também é Android e na parte de trás do aparelho está escrito Samsung Galaxy Tab 2. A diferença é que a inscrição é um adesivo.

O pirata do Galaxy Tab 2 é apenas um dos tablets de 7 polegadas encontrados no mercado paralelo. Apesar de não haver números que mostrem a amplitude desse setor, já que as empresas de pesquisa só consideram as vendas legais e feitas em lojas físicas, os tablets não oficiais estão em todas as partes - em lojas e em camelôs.

Um passeio na Rua Santa Ifigênia revela réplicas e marcas asiáticas inusitadas. Uma parte, como o Tab 2, se encaixa visivelmente na categoria dos piratas e contrabandeadas. Outra está na turma dos aparelhos não homologados pela Anatel - o que não significa necessariamente que o aparelho é ruim, mas, no caso de suportar conexão 3G, pode apresentar falhas.

Maçã ou laranja. Uma das opções mais recomendadas pelos vendedores é o da marca Orange. O tablet vem na cores preta e também no branco, assim como o iPad. Na parte de trás, em vez de uma maçã mordida, como a vista nos aparelhos da Apple, o símbolo que aparece é o de uma laranja com duas folhinhas.

"Quer comprar? R$ 500. Faz até ligação", diz um homem, segurando um Orange. Ele havia comprado o tablet, estragado, por R$ 50 e depois consertou.

Outro tablet presente em várias lojas da Santa Ifigiênia é o Genesis, fabricado por três empresas em conjunto: Skyworth, da China; SK, da Coreia; e Evertek, que em seu site se diz a principal fundadora da marca, mas não informa sua origem.

"Esse é um dos mais vendidos", diz um vendedor sobre um modelo Genesis de R$ 500. O tablet vinha com vários aplicativos animados, que pulavam na tela, e o menu estava disposto como uma esfera circular em 3D.

Outras marcas encontradas durante o 'tour' pela região da Santa Ifigênia foram Foston, Qtec e Ibak. A margem de lucro obtida com a venda dos tablets, segundo alguns comerciantes, varia entre 20% e 25%. / N.F.

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