No Chile, chanceler argentino põe panos quentes em crise com LAN

Relação entre os países não cabe em um hangar, disse o ministro sobre intenção do governo de tirar aérea de aeroporto

ARIEL PALACIOS , MARINA GUIMARÃES , CORRESPONDENTES / BUENOS AIRES, O Estado de S.Paulo

24 de agosto de 2013 | 02h04

O chanceler argentino Héctor Timerman disse ontem em Santiago do Chile que tem "a certeza" de que a companhia aérea LAN "continuará operando na Argentina, de acordo com as normas das autoridades". Ele fez as declarações após reunião com o chanceler chileno Alfredo Moreno, com o qual discutiu o despejo da LAN Argentina do aeroporto Jorge Newbery, conhecido como "Aeroparque".

Na terça-feira, o Organismo Regulador do Sistema Nacional de Aeroportos (Orsna) emitiu uma resolução que obriga a empresa a abandonar em dez dias o hangar que utiliza nesse aeroporto, fato que provocaria a inviabilidade dos 14 voos domésticos da LAN no país.

O anúncio irritou os chilenos, que acumulam anos de conflitos comerciais gerados pelo governo Kirchner. Timerman afirmou que "a relação argentina com o Chile não cabe em um hangar". A notícia do despejo da LAN - em plena campanha para as eleições parlamentares de outubro - gerou o rechaço dos líderes da oposição, que argumentam que esse tipo de medidas afugenta os investidores internacionais.

Eduardo Eurnekian, presidente da Corporação América, que controla a Aeroportos Argentina 2000, que opera a maioria dos aeroportos do país, disse que o prazo é "uma aberração": "não se pode dizer a uma companhia aérea que desocupe seu hangar em dez dias".

A LAN Argentina alega que possui um contrato do hangar até 2023. No entanto, a Orsna sustenta que o contrato fica extinto por uma resolução de 2012 que determina que, a partir do dia 1º de agosto deste ano, as instalações seriam entregues para uso do Estado argentino.

Neste caso, o hangar passaria às mãos da estatal Aerolíneas Argentinas, que já conta com 70% do mercado doméstico.

Disparate. O anúncio do iminente despejo da LAN Argentina foi acompanhado por intensos rumores sobre uma eventual estatização do Aeroparque.

Segundo as informações, publicadas em jornais portenhos, o aeroporto metropolitano ficaria nas mãos da Aerolíneas Argentinas, empresa comandada por "La Cámpora", denominação da juventude kirchnerista.

Eurnekian afirmou que "isso é um disparate". Visivelmente irritado, o CEO declarou que "nenhuma empresa aérea pode administrar um aeroporto, é uma regra internacional". Além disso, sustentou que possui um contrato de concessão dos aeroportos até o ano 2028. "Qualquer mudança nos termos do contrato tem que ser negociada entre o Estado argentino e a companhia", afirmou.

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